quarta-feira, 27 de julho de 2011

Da série ouvindo no carro

Hasta la vista

Oh,  querido deus todo misericordioso, faça com que o dia de amanhã amanheça sob o fogo de um lança chamas e siga iluminando a estrada nada perdida em direção a Punta Del Diablo para que os bípedes e centopeias que para lá se dirigem cheguem sãos, salvos e livres de más profecias. Oh, querido deus todo misericordioso, faça com que os bons vinhos e os bons queijos bem como os enlatados de polvo estejam todos a nossa espera para que o senhor bípede e o pequeno bípede encham a gula de carinhos e o corpo de energia. Oh, querido deus todo misericordioso, faça com que a bípede não esqueça de levar um par de óculos, uns dois ou três livros,  o seu par de botinas e um bloquinho para anotar as ideias que soprarem mais forte que o capeta e seus cuspes de ventania.

Retirante

Retira os sons das letras, retiras as letras das palavras, retira as palavras da boca e da velocidade das mãos, retira as mãos do teclado e do que não é de verdade e não restarão mais que os verbos exaustos, tombados e ditos em vão.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Redesenhada

Deitada de barriga para cima, espia o sol que se joga sobre os seus olhos de inventar mares e, devagar, vai sonhando a areia que percorre quando anda, descalça, a centopeia de suas palavras, palavras, às vezes, ofuscadas pelas ondas sem filtro que emanam de sua essência  redesenhada conforme as horas e o efeito de suas sombras.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Perto das margens

Quando a criatura retornar do chão congelado, há de encontrar perto das margens o ser imperecível e dinâmico das horas acesas a palavras ensolaradas como as sementes de uma chama voadora, imensa e informe tal qual um incêndio sobre Roma ou sobre uma floresta equatorial de árvores e de verbos tão sonoros quanto a água ardente das letras e dos sentimentos torneados um a um pela madeira dos sonhos, sonhos ignorados até  o encontro do  afeto já sentado à frente e falante e em busca de casa, comida e roupa rasgada.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Os Intocáveis

Nesse silêncio fortificado de ruídos, escombros de vontades sobem pelas paredes e agarram-se às imagens  pregadas aos esquadros de um azul  antes areia, antes vermelho e antes ainda amarelo, amarelo descolorido pela insubordinação de uma  mente descoagulada e não mais sufocada pelas vestes da arrogância e da manipulação de quem, de tempos em tempos, visita a sua porta, o seu lar e partilha-se feito doces em uma toalha xadrezinha de gulas e caprichos, quitutes escancarados de falatórios e falsos dramas cuspidos entre os seus sorrisos de quem nunca se condena e se diz sem remorsos e cristalino demais para ter de beber um gole de não, quiçá um copo.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Na festa da minha vida há vida inteligente e afetiva

Festa-surpresa regada à prosa e poesia



Sobre invernos, travessias e umbrais


o colo da manhã umedece os passos


sobre o lume da estrada distraída


meus olhos pendem para o infinito


enquanto a mulher de riso asteroide


descortina faces e frases no varal




Lúcida estrela que, na blogosfera,

Espalhas amizade com doçura;

Leitura que na vida sabe a lenda

Escrita que as nossas vidas transfigura,

Nuance sempre nova e tão brilhante

Auguro hoje para a Bípede Falante.






Poema para uma Bípede Alada



A face de Lelena


Esparge raios


De um líquido sol


Que se insurge


Contra a escuridão sólida



Num ímpeto


Liberta sentidos


Inaugura gestos


Amamenta palavras


Recém-nascidas.


Os pés transmutam-se


Em asas


Faz casa nos céus


E aconchega na boca


Sílabas delirantes.




Nos olhos de Lelena


Há bois, florestas e borboletas


Auroras de nuvens acesas


Pela chama da inspiração.




A pele de Lelena


É feita de escamas


A cauda é de penas


O riso é de pérolas


De ostras indecentes.




Despudorada,


É sobre dois pés


Que Lelena voa.






Amizade virtual, na simétrica de um clique,

Onde o espaço é o enunciado que se cruza

Entre sorrisos que não se vêm

E de repente, tão de repente, as vacuidades

Se sentem e sobrolhos se arrepanham.

Bípede Falante bem haja pelo seu carinho

Blogosfericamente virtual que quando se ausenta deixa saudades.







A espécie...



Bípedes Falantes desmontam


relógios e brinquedos de corda,


mas só sabem remontar os sonhos.


Bípedes Falantes caçam


borboletas, gentes e nuvens,


para salvá-las do mundo


e guardá-las aos sete ventos.


Bípedes Falantes sabem


como falar pelos cotovelos


dos incontáveis abraços


que suas pernas percorrem


e sua boca verte em plenitude.





Etérea


pelas nuvens percorre
enigmas
escuta o vento
ora em versos
beija a palavra
casa feita de nuvem
na janela: seu céu





Falante



Fala de nuvens como ninguém,


Nuvens ludens


Que vogam, que dançam,


Sacodem os ossos, vão e vêm.




Fala de si mesma como se fosse outra


De si mesma criatura refém,


Emblema terno das humanices


Que ao ser falante convém.





Fala da leitura


A voraz leitora


Com a amorosa postura


De uma co-criadora.



Fala de escritua,


Orgânica lavoura,


Da terra sintática,


Da semente semântica,


Do enxerto verbal,


Da água pura,


E da luz quântica.



Fala da vida inscrita

Em cada estação,

Da flor que outonara,

E depois hibernou,

Que enfim chega vera

E será a alegria plena

De olhos que verão.



Fala do azul-candura

Para pés que tem asas,

Fala dos nervos vivos

Que voam sílabas

Na pena que livre plana,

Travessa ou densa,

Em travessia e procura

Da palavra mais humana.





Nuvens de Lelena




somente é mistério

a arte manha de voar

pra quem não

ousou viajar

nas nuvens de lelena,

nelas flutuou no meio,

nelas trepidou no seio

e sobreviveu a alguma

de suas panes-aquarelas.





Quis rasgar verbos, desequilibrar palavras e frases para expressar minha alegria e emoção neste momento. Já risquei, já passei até borracha (!), fiz bolinhas de papel, e NADA! Se soubesse e pudesse engarrafar nuvens, hoje, no dia do teu aniversário, enviaria um engradado delas cheio de amor, alegrias e desejos realizados! Rasgaria minha língua para arrancar palavras de carinho e admiração. Se pudesse, atravessaria o oceano para dar-te um grande abraço, mas no momento a realidade bateu o martelo e decretou a impossibilidade de realizar tal sonho...! Por isso, só me resta, por enquanto, desejar-te um lindo e FELIZ ANIVERSÁRIO !!





As letras, qual labirintos, apontam mapas sem fim, enquanto os olhos se perdem nas nuvens em busca de sinais que seduzam a inquietação.
Teimas, para lá do rugido das águas, em dissecar as palavras, uma a uma, como se em busca da textura perdida da ternura que amacia a respiração da pele.
Na cumplicidade das ilhas vais descobrindo o sentido do suor das letras, da sua respiração.
E quase sem te dares conta, as palavras começam a dançar...




O ano de 2010 foi gratificante em muitos aspectos, mas um em particular foi agraciado de forma muito especial: conhecí Bípede Falante. Conhecí num espaço que é de ninguém e de todos ao mesmo tempo, um espaço que aproxima os que compartilham de ideias e deais parecidos. Visitamo-nos com frequência, nossas casas-blogs estão sempre abertas, trocamos mensagens e impressões, tornamo-nos próximas mesmo com a distância geográfica que nos separa. Em determinado momento deixou de ser Bípede Falante e tornou-se Lelena, quase amiga de infância, identificação revelada na mútua admiração que nutrimos uma pela outra. Neste 8 de julho de 2011, dia do seu aniversário, dia da abertura de minha exposição de pinturas intitulada Solitudes, dia em que nos conheceremos pessoalmente, já que virá a Salvador para o evento, quero registrar aqui o meu desejo de muita felicidade, saúde e amor, que seus sonhos se materializem e que nossa amizade se consolide na medida de nossa satisfação em termos nos conhecido. Estou muito feliz por esse encontro! Grande, forte e afetuoso abraço e parabéns pelo seu dia!





Hoje eu quero homenagear os seres bípedes, do tipo falante, mas nós somos bilhões, de forma que não é bem isso o que eu quero. Poderia limitar-me então às mulheres, e mesmo assim estaria me incluindo, já que minha porção mulher é a melhor que eu trago há tempos, de modo que também não é isso o que eu quero. Pensei nas gaúchas, e aí talvez eu circunscrevesse melhor meu desejo, mas se há as de Vacaria há também as de Rio Grande e embora ambas, amiga e esposa, rivalizem em beleza, são sentimentos de departamentos distintos. Poderia então homenagear as Helenas, mas Manoel Carlos já fez isso tantas vezes, e eu, que também sou filho de Helena, não estaria sendo nem um pouco original, embora originalidade não persiga aqui, mas a verdade, a infinita verdade. Então fique claro de uma vez por todas: quero homenagear hoje a bípede falante, mulher, gaúcha, Helena e Lelena, uma amiga que por muito pouco não conheço em Salvador, junto aos quadros das queridas Lucia e Ivonete. Lelena, uma blogueira de prosas poéticas (ou seriam de poemas prosaicos?), coisa que a Tânia Regina já provou e o mundo aprovou. E já que tantos amigos e amigas a homenageiam hoje, me contentaria em saudar seus olhos, que por diversas fotos me avisaram pertencer a um mundo intenso, misterioso e insondável de gentilezas, carinhos e bem-querer, com que trata a todos, os quais eu, agora sim satisfeito, felizmente me incluo.




quarta-feira, 6 de julho de 2011

Da arte das nuvens alcançáveis II

Assim, desajeitada, derrubo as palavras sobre o copo do teu deserto, inundando tua matéria com a substância que escapa-me e transborda e chove por entre os nossos dedos. E tu, então, te finges distraído e deixa-me adentrar em tuas dunas, vastidão ao nosso alcance e à espera das nuvens do meu afeto.

domingo, 3 de julho de 2011

Onça Pintada

Pele da minha nuvem, descasca a dor perdida em sua bússola de sonhos e acolhe o sangue das memórias do tempo, tempo chorado em silêncio, atravessado pelo rasgo das pedras e dos pássaros, dobrado em secas de ternura e de águas, descosturado de estrelas, expulso do céu, tempo sem infância e germinado dentro dos olhos fechados dos ninhos sem aves e sem os voos de alguns homens.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Travessias

O tempo dentro do ventre das horas desengarrafa a água coagulada de esperas e abre as pálpebras das palavras inquietas. Sorvidas em grãos de ideias e semeadas pelo corpo dos verbos, as palavras giram os átimos escondidos nos ponteiros da mente e ordenam aos silêncios que calem-se à margem dos tique e taques das travessias. E as vozes, então, mergulham em piscinas carregadas de  dor e de melodias e dilatam-se em  ecos e pupilas, derrubando as frases como quem derruba a mobílias e arranha a ofensas já traumatizadas pela verticalidade  de tantas letras despudoradas e sem pingos de tintas.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Alguém, por favor, me sirva uma xícara de nuvens quentes. Alguém, por favor, me diga que não é verdade que outra geleira se aproxima se essa, que agora me congela, ainda nem foi embora. Eu, o pato negro, que não há cisne que resista às roupinhas de inverno, se bem que para cisne nunca servi, não tenho penas para navegar sem tremores. Minha vida de ave nunca foi aquática e suave, tender was the night. Os meus voos sempre buscaram a verticalidade das letras, todas encaixadas feito mobília dentro do céu da minha mente, um ceú aquecido no fogo da minha bipedice, que, no meu mundinho imaginário,  não cabem icebergs e, por Tutatis, como faz frio  fora dele.

Mal cabe mais uma nuvem no dominó de dúvidas. Cobertas de pó, elas perdem a carne e um pouco do osso. Ainda assim planam sobre terrenos e terrenos da planície já conhecida pintada sobre as bolas do colar  feito da nudez de muitas palavras. Palavras desdobradas e curvas, cheia de coxas, penduras nas linhas como em um varal, abanando-se aos desejos.

[Image]Na cor dos meus olhos, escreve-se o nome da sua existência. Na imaginação do meu corpo, colorem-se, as nuvens, com a pele do seu afeto.  No horizonte calado descansam  os ruídos e os contornos dos dedos sem ventos do meu amor

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Invernos

Distraída, nem percebe a velocidade com que o chá esfria. Feita de sul, perde a maresia das horas e do verão adiado para o próximo ano, adiado como a si própria a esperar o momento em que há de desembarcar os vestígios que imobilizam os dedos antes de se materializarem as palavras congeladas já no céu da boca, céu sem nuvens e cristalizado em temporais de saliva.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

No varal

No varal, pendurado, está um mundo de coxas e curvas.
No varal, escapando das coxas, está a água do corpo e a secreção da poesia.
No varal, brigando pela sombra, estão os ombros da nudez e o contorno dos seios.
No varal, abrindo o rosto,  estão um par de olhos, a vontade e a raiva com que o vento lambe os bicos, os pelos e o sol antes de desventrar o próximo rasgo do dia.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A cicatriz do ar


Abre a pele para receber o corte das frases e partilhar, com o sangue, o seu espanto. Abre a pele para multiplicar a lavoura e oferecer as suas nuvens mais uma  estação de chuvas. Abre a pele para engravidar-se, inesperadamente, de uma nova e rara literatura.

Fallorca blog: O cheiro dos livros.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Andarilhar

Do sul do mundo, vem esgueirar-se para ver o que acontece por dentro da nuvem maior que a sombra e, louca de ciúmes da chuva, mancha a retina de seu varal de papel e empalha, com a saliva, as palavras derramadas sobre a pele sem linhas, contraste da sua, de seu contorno em desordem e corrosivo,  antimundo imerso da própria ferrugem e das letras inconformadas com o  seu andar de substância.

ps. A palavra andarilhar também não sei se existe. Se não existe, melhor!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Apedrejário

Letras feitas de pedra subtraem a soma de água e ternura da voz perdida ao quadrado dessa matemática da desrazão de voltar a um roteiro fossilizado de substantivos e contas engarrafados dentro de uma carta decomposta sem corrente ou sinal de vida.

ps. A palavra apedrejário não existe. Quem quiser jogar uma pedrinha, divirta-se.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Círculos

Se a fúria invadir o cérebro e sequestrar o bom senso e derrubar em lascas de ira a vilania das palavras sobre os dedos delicados da mão que desenha e saturna as imagens, que a mão que desenha e saturna as imagens deixe-se escorrer feito chuva caída de nuvem despedaçada sobre a relva das injustiças, seja noite seja dia, e aproveite a água e a lama e os crucifixos para reconstruir-se em círculos de persistência, ânimo e poesia.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Bicolor

Dança entre as palavras, rasga a nuvem e os círculos escondidos sob a tinta do céu, escancara as curvas à luz do dia, como se fossem elas  ritmos, e gira os verbos diante de uma pele de esfera, substantivo bicolor de um par de olhos em que mora alguém e onde as letras brancas se espreguiçam leves feito a sua  pele de névoa.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mergulho

Vem banhar-se com a minha nudez e usa os silêncios da sua voz para decorar os meus reflexos e despertar a minha imagem cercada pelo seu hábito de vasculhar o que me entranha, aninhando-se nas minhas formas como se fossem elas as suas cores, os meus ângulos e a nossa piscina.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Das mãos

Das mãos, surge a terra a quem a estrada não descaminha. Ouvem-se os verbos de cada passo. Os verbos não se perdem. Os verbos embalam o chão como se fosse ele o primeiro som do mundo, como se fosse a sua voz o descanso da alma, a memória infinita e sem partida  do sul do que se esconde ao relento de cada um.

Mama África

Bipedices a parte, mesmo sem conhecer a África negra, a África das tribos, tenho adoração, veneração, admiração e todos os bons aõs da nossa língua pela arte tribal desse continente planeta. E tenho também a sorte de ter algumas peças, a grande parte presentes, porque ainda não consegui  ir me sentar debaixo de imbondeiro. Portanto, todavia, logo, logo porque  gosto e porque gosto existo e exibo, tenho um novo blog saído do forno destinado a montar um acervo, tenho com outros blogueiros que têm esse mesmo fascínio o Sikilele África e tenho com eles e com quem for da mesma argila porque acredito que os pés nos levam aonde os  tambores  mandam e aonde os nosso olhos precisam.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Bípede piscina de livros













           Das 16 às 23 horas de hoje. Tudo pronto, ou quase. Faltam os quadros do paredão azul. E, apesar dos prognósticos ruins do pintor, eu adorei a minha piscina cheia de livros. Vivaaaaa!!! :)

Não leia se for religioso

Orações ao vento. Recebe no mailbox orações às toneladas de uma alma, imagina, pesada de tantas rezas. Uma alma que quer salvar a sua e a enviar para o limbo, purgatório ou algo do estilo antes de ter certeza de que o seu indiscutível destino é o inferno. Um inferno entre quatro paredes se for possível e com um rosário de pérolas. Assim, todo enrolado em círculos de fogo e gelo e correntes como gostaria Dante não faz muito a sua cabeça. Ela pode passar de giro e ficar descabelada. O que, pensando bem, pode ser uma boa ideia. Uma revolta instalada em madeixas deve causar grande devastação nos olhos do povo e aos olhos de deus, de um deus, é claro, que tenha ainda  algum crédito, imobiliário de preferência, para comprar para os fíéis a sonhada casa própria depois de ter reformado, evidentemente, a sua  inestimável catedral no céu.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Mundo bípede - Da série isso não é possível

Alguém me belisque. Saí para a aula de dança, que o esqueleto gosta de se balançar, na volta, andei em círculos pelo bairro por uns vinte minutos porque um caminhão estava abandonado em frente a minha garagem e, quando finalmente cheguei em casa, o pintor havia parado de pintar o meu escritório porque ele não gosta do meu tom de azul, que o do quarto dele é mais clarinho, que ele é bem calminho, e eu sou um mamute com paciência e gosto de matute. Só posso ser, tenho certeza de que sou o rei, no caso, a rainha, dos mamutes da paciência e que seja do mau gosto se for o caso, porque o pintor segue vivo e faceiro e fora da lata de tinta onde ele já deveria estar estrangulado e afogado se eu não fosse quem sou. Oh, vida!

Meu azul definitivo. É na verdade um pouco mais claro do que aparece aqui porque a foto foi feita com o iphone. Ficou longe de ser clarinho ou de ser rosa como havia sugerido o meu especialíssimo pintor!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Bipedice em obras

Nzamba é elefante em quimbundo. Quimbundo, para quem não sabe, se fala em Angola. Entre outras línguas, é claro. Elefante em bipedês é um paquiderme tatara tatara tatara bisneto em alguns milhões de potência de um mamute, talvez, adorável. E mamute é coisa que a bípede sabe ser em doses homeopáticas, quer seja ouvindo  música, quer seja lendo o Raduan. Raduan, em hebraico, significa filho dos deuses. Em bipedês, a tradução exata é o próprio  senhor deus em papel e  letras bem fortes, o que combina com  ideias e  xícaras de chá e uma enorme bagunça, que a bípede está a desmontar o escritório para transformá-lo em uma piscina de livros. A bípede sempre quis ter uma vista para o mar. Não tem nem vista nem costas porque em Porto Alegre não há mar, mas há tintas azuis, uma imensidão de azuis para colorir as paredes e combinar com a cabeça  cheia de nuvens.

Leituras a partir de 1 de janeiro de 2012

1. Bilhete seco - Elisa Nazarian
2. Quando fui morto em Cuba - Roberto Drummond
3. O retrato de Oscar Wilde Fragmentos
4. Estrela miúda breve romance infinito - Fabio Daflon
5. Poemas - Wislawa Szymborska
6. Mar me quer - Mia Couto
7. Estive em Lisboa e lembrei de você - Luiz Ruffato
8. O pai invisível - Kledir Ramil
9. Poemas de Eugénio de Andrade - Seleção, estudo e notas de Arnaldo Saraiva
10. Os da minha rua - Ondjaki
11. A máquina de fazer espanhóis - Walter Hugo Mãe
12. Vigílias - Al Berto
13. Poemas concebidos sem pecado - Manoel de Barros
14. Face imóvel - Manoel de Barros
15. Poesias - Manoel de Barros
16. Compêndio para uso dos pássaros - Manoel de Barros
17. Gramática expositiva do chão - Manoel de Barros
18. Matéria de Poesia - Manoel de Barros
19. Arranjos para assobio - Manoel de Barros
20. Livro de pré-coisas - Manoel de Barros
21. O guardador de águas - Manoel de Barros
22. Concerto a céu aberto para solos de ave- Manoel de Barros
23. Quinta Avenida, 5 da manhã - S. Wasson
24. A literatura em perigo - Tzvean Todorov
25. O remorso de Baltazar Serapião- Walter Hugo Mãe
26. Lotte & Zweig - Deonísio da Silva
27. Indícios flutuantes (poemas) - Marina Tsvetáieva
28. A duração do dia - Adélia Prado
29. Rua do mundo - Eucanaã Ferraz
30. Destino poesia Antologia - organização Italo Moriconi. Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto e Waly Salomão
31. Tarde - Paulo Henriques Britto
32. Correnteza e escombros - Olavo Amaral
33. Nelson Rodrigues por ele mesmo
34. A última coisa que eu pretendo fazer na vida é morrer - Ciro Pellicano
35. O encontro marcado - Fernando Sabino
36. O óbvio ululante - Nelson Rodrigues
37. O grande mentecapto- Fernando Sabino
38. O homem despedaçado - Gustavo Melo Czekster
39. Dia de São Nunca à tarde - Roberto Drummond
40. O canto do vento nos ciprestes - Maria do Rosário Pedreira
41. Antes que os espelhos se tornem opacos - Juarez Guedes Cruz
41. Desvãos - Susana Vernieri
42. Um pai de cinema - Antonio Skármeta
43. No inferno é sempre assim - Daniela Langer
44. Crônicas de Roberto Drummond.
45. Correio do tempo - Mario Benedetti
45. Gatos bravos morrem pelo chute - Tiago Ferrari
46. Gesso & Caliça - Alberto Daflon Filho e Fabio Daflon
47. A educação pela pedra - João de Cabral de Melo Neto
48. O fio da palavra - Bartolomeu Campos de Queirós
49. Meu amor - Beatriz Bracher
50. Os vinte e cinco poemas da triste alegria - Carlos Drummond de Andrade
51. A visita cruel do tempo - Jennifer Egan
52. Cemitério de pianos - José Luis Peixoto
53. O amante - Marguerite Duras
54. Bonsai - Alejandro Zambra
55. Diciodiário - Valesca de Assis
56. Não tenho culpa que a vida seja como ela é - Nelson Rodrigues
57. Lero-lero - Cacaso
58. O livro das ignorãças - Manoel de Barros
59. Livro sobre nada - Manoel de Barros
60. Retrato do artista quando coisa - Manoel de Barros
61. Ensaios fotográficos - Manoel de Barros
62. A queda - as memórias de um pai em 424 passos - Diogo Mainardi
63. Junco - Nuno Ramos
64. Os verbos auxiliares do coração - Peter Estérhazy
65. Monstros fora do armário - Flavio Torres
66. Viagem - Cecília Meireles
67. Cora Coralina - Seleção Darcy França Denófrio
68. Instante - Wislawa Szymborska
69. Dobras do tempo - Carmen Silvia Presotto
70. Eles eram muitos cavalos - Luiz Ruffato
71. Romanceiro da inconfidência - Cecília Meireles
72. De mim já nem se lembra - Luiz Ruffato
73. O perseguidor - Júlio Cortázar
74. Paráguas verdes - Luiz Ruffato
75. Todas as palavras poesia reunida - Manuel António Pina
76. Vidas secas - Graciliano Ramos
77. Inferno Provisório Volume II O mundo inimigo - Luiz Ruffato
78. O ano em que Fidel foi excomungado - José de Assis Freitas Filho
79. Boneca russa em casa de silêncios - Daniela Delias
80. As cidades e as musas - Manuel Bandeira
81. Billie Holiday e a biografia de uma canção Strange Fruit - David Margolick
82. Inferno Provisório Volume III Vista parcial da noite - Luiz Ruffato
83. Inferno Provisório Volume V - Domingos sem Deus
84. Inferno Provisório Volume IV - O Livro das impossibilidades - Luiz Ruffato
85. Pedro Páramo - Juan Rulfo
86. Zazie no metrô - Raymond Queneau
87. Fora do lugar - Rodrigo Rosp
88. Salvador abaixo de zero - Herculano Neto
89. Inferno Provisório Volume I - Mamma, son tanto felice - Luiz Ruffato
90. A virgem que não conhecia Picasso - Rodrigo Rosp
91. Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
92. Tempo dividido - Sophia de Mello Breyer Andersen
93. A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade

Leituras a partir de 1 de janeiro de 2011

1.Desgracida - Dalton Trevisan
2.Diário de um banana - Jeff Kinney
3. Poemas escolhidos, seleção de Vilma Arêas - Sophia de Mello Breyner Andresen
4. Oportunidade para um pequeno desespero - Franz Kafka
5. Venenos de Deus, remédios do Diabo - Mia Couto
6. Ventos do Apocalipse - Paulina Chiziane
7. Para gostar de ler - Contos Africanos
8. Vinte e zinco - Mia Couto
9. O Vendedor de passados - José Eduardo Agualusa
10. O Fazedor - Jorge Luís Borges
11. Terra Sonâmbula - Mia Couto
12. Barroco Tropical - José Eduardo Agualusa
13. Quem de nós - Mario Benedetti
14. O último voo do flamingo - Mia Couto
15. A carta de Pero Vaz de Caminha: o descobrimento do Brasil - Silvio Castro
16. Na berma de nenhuma estrada e outros contos - Mia Couto
17.O reino deste mundo - Alejo Carpentier
18. Como veias finas na terra - Paula Tavares
19. Baía dos Tigres - Pedro Rosa Mendes
20. O português que nos pariu - Angela Dutra de Menezes
21. Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez
22. Vermelho amargo - Bartolomeu Campos de Queirós
23. Meu tipo de garota - Buddhadeva Bose
24. Tradutor de Chuvas - Mia Couto
25. O livro das perguntas - Pablo Neruda
26. O fio das missangas - Mia Couto
27. Luka e o fogo da vida - Salman Rushdie
28. Pawana - J.M.G. Le Clézio
29. O africano - J.M.G. Le Clézio
30. O pescador de almas - Flamarion Silva
31. Um erro emocional - Cristovão Tezza
32. O amor, as mulheres e a vida - Mario Benedetti
33. A cidade e a infância - José Luandino Vieira
34. História do olho - Georges Bataille
35. Destino de bai- antologia de poesia inédita caboverdiana
36. O tigre de veludo- E. E. Cummings
37. Poesia Soviética - Seleção, tradução e notas de Lauro Machado Coelho
38. A cicatriz do ar - Jorge Fallorca
39. Refrão da fome - J.M.G. Le Clézio
40. As avós - Doris Lessing
41. Vozes Anoitecidas - Mia Couto
42. O livro dos guerrilheiros - José Luandino Vieira
43. Trabalhar cansa - Cesare Pavese
44. No teu deserto - Miguel Sousa Tavares
45. Uma canção para Renata Maria - Ediney Santana
46. Sete sonetos e um quarto - Manuel Alegre
47. Trópico de Capricórnio - Henry Miller
48. Sinais do Mar - Ana Maria Machado
49. Carta a D. - Andre Gorz
50. E se o Obama fosse africano? E outras interinvenções - Mia Couto
51. De A a X - John Berger
52. Diz-me a verdade acerca do amor - W.H. Auden
53. Poemas malditos, gozosos e devotos - Hilda Hilst
54. Outro tempo - W.H. Auden
55. nem sempre a lápis - Jorge Fallorca
56. Elvis&Madona - Luiz Biajoni
57. Budapeste - Chico Buarque
58. José - Rubem Fonseca
59. Axilas e outras histórias indecorosas - Rubem Fonseca
60. Instruções para salvar o mundo - Rosa Montero
61. A chuva de Maria - Martha Galrão
62. Rimas da vida e da morte - Amós Oz
63. Aqui nos encontramos - John Berger
64. Pensatempos textos de opinião - Mia Couto
65. Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
66. Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke
67. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristovão Rilke - Rainer Maria Rilke
68. Adultérios - Woody Allen
69. Quem me dera ser onda - Manuel Rui
70. Satolep - Vítor Ramil
71. Homem Comum - Philip Roth
72. O animal agonizante - Philip Roth
73. Paisagem com dromedário - Carola Saavedra
74. Não te deixarei morrer, David Crockett - Miguel Sousa Tavares
75. Orelhas de Aluguel - Deonísio da Silva
76. Travessia de verão - Truman Capote
77. Avante, soldados: para trás - Deonísio da Silva
78. Antes das primeiras estórias - João Guimarães Rosa
79. O outro pé da sereia - Mia Couto
80. O cemitério de Praga - Umberto Eco
81. A mulher silenciosa - Deonísio da Siva
82. Livrai-me das tentações - Deonísio da Silva
83. A mesa dos inocentes - Deonísio da Silva
84. Hilda Furacão - Roberto Drummond
85. A estética do frio - Vitor Ramil
86. Poetas de França - Guilherme de Almeida
87. Tarde com anões 7 minicontistas - Carlos Barbosa, Elieser césar, Igor Rossoni, Lidiane Nunes, Mayrant Gallo, Rafael Rodrigues e Thiago Lins.
88. Pensageiro Frequente - Mia Couto.
89. A palavra ausente - Marcelo Moutinho
90. Uma mulher -Péter Esterházy
91. Cartas de amor - Fernando Pessoa
92. A última entrevista de José Saramago - José Rodrigues dos Santos
93. A morte de D.J. em Paris - Roberto Drummond
94. Do desejo - Hilda Hilst
95. Cenas indecorosas - Deonísio da Silva

Leituras a partir de 19 de Julho de 2010

1. La Hermandad de la uva - John Fante
2. Nem mesmo os passarinhos tristes - Mayrant Gallo
3. Um mau começo - Lemony Snicket
4. Recordações de andar exausto - Mayrant Gallo
5. Ladrões de cadáveres - Patrícia Melo
6. O mar que a noite esconde - Aramis Ribeiro Costa
7. Há prendisajens com o xão - Ondjaki
8. E se amanhã o medo - Ondjaki
9. O último leitor - Ricardo Piglia
10. Par e ímpar - Tatiana Druck
11. Paris França - Gertrude Stein
12. Quirelas e cintilações - Luiz Coronel
13. AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki
14. Luaanda - José Luandino Vieira
15. Poemas para Antonio - Ângela Vilma
16. Estranhamentos - Mônica Menezes
17. A vida é sonho - Calderón
18. A varanda do Frangipani - Mia Couto
19. Um copo de cólera - Raduan Nassar
20. Antes de nascer o mundo - Mia Couto
21.Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
22- Poemas da ciência de voar e da engenharia de ser - Eduardo White
23. Manual para amantes desesperados - Paula Tavares
24. Materiais para confecção de um espanador de tristezas - Ondjaki
25. Milagrário Pessoal - José Eduardo Agualusa
26. Felicidade e outros contos - Katherine Mansfield
27. Estórias abensonhadas - Mia Couto
28. Fábulas delicadas - Eliana Mara Chiossi
29. O Ulisses no Supermercado - José de Assis Freitas Filho
30. Cartas Exemplares - Gustave Flaubert
31. A Moça do pai - Vera Cardoni
32. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - Mia Couto
33. Dentro de mim faz sul seguido de Acto Sanguíneo - Ondjaki
34. Bonequinha de Luxo - Truman Capote
35. 125 Poemas - Joaquim Pessoa.

Mundo bípede


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