terça-feira, 30 de junho de 2009
Chambinho do coração
Ouvi no carro o Carinhoso, peguei o vídeo do grande Pixinguinha no You Tube, começei a cantar. Daí, surgiu, pela porta da frente, a propaganda que jamais esqueci. Chambinho do coração. Quem viu, sabe. Vale por uma declaração.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
No subsolo

De óculos, ele a olha com ar de superioridade por não detectar a desejada exuberância. Ignora a qualidade humana escondida sob a aparência discreta. Recorre a arte para ter equilíbrio e, junto com as tintas, dissolve a afetividade e o respeito. Devagar, vai pintando uma cicatriz na moça. No final, o quadro perde o foco; ela, o próprio contorno. Sem alimento e desalinhada, ela cancela a fome e a expansão. Solitária, desacelera, enquanto ele aumenta ainda mais o traço de horror.
sábado, 27 de junho de 2009
Desconhecida

Não gosta de entrar no provador e dar de cara com o espectro conhecido. O espelho faz o recorte. E ela fotografa a impressão, às vezes, por demais borrada. Revela o efeito narcose da vaidade pouco reprimida - a erva daninha das superficialidades. Em partes, elenca o que não gosta e quem não topa. Tristemente ex-demoníaca e atrasada, desenvolve os laços de intimidade necessários para suportar-se com o seu todo. Da infância sem amigo imaginário, preserva o modo de vida observador. Estão todos em uma vitrine abortada sem o anestésico da juventude e envelopados por uma pulsação até pouco tempo desconhecida.
Michael Jackson - do think twice
Porque eu fui uma adolê que curtiu e dançou muita Madona e Michael Jackson, here is minha favorita do poor and crazy falecido.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Aqui está ele!

The lucky bípede digita a primeira mensagem em seu prêmio: um pretinho básico cheio de surpresas. A mais inspiradora é o próprio nome: Dell INSPIRON 1545. As outras precisam ainda ser decifradas e compreendidas. Madame Chanel ficaria louca com tantos acessórios. O pequeno bípede ficará contente porque tem leitor Blu-Ray. A mãe bípede nem precisa mais de motivos para sorrir. Quem já ganhou um sorteio que o diga!
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Sándor Márai
" Leva muito tempo até aprendermos que na verdade não temos nada para fazer; e, então, na maioria das vezes, começamos a fazer alguma coisa. "
" Não apenas a vida, mas também a literatura é cheia de parentescos misteriosos."
" ... a vida é matéria suspeita, e somente dentro de certos limites, com certo preparo, se pode aproveitar dela alguma coisa."
" Não tenho boa memória. A aparência de pessoas, períodos de tempo, encontros, passam pela minha lembrança sem deixar rastros, evoco sempre conjuntos de acontecimentos que se ligam por meio de grandes blocos. Nesses blocos, como um inseto pré-histórico imobilizado em resina, uma ou outra figura do passado vive sua vida simbólica. Os que eu deixo ficam para mim apenas como os mortos na lembrança dos vivos. Sou um recordador mal-agradecido. Sempre emerge da confusão indistinta um ou outro personagem, e a seu redor depositam-se os fragmentos de lembranças, como algas marinhas; tenho de limpar das pessoas mais lembradas os detritos com que o dilúvio do passado as recobriu."
" Quando entre as partes do corpo aparece o rosto, termina a puberdade e começa a vida adulta."
" ... a vida não tolera as formas, ela transborda, é uma desorganização sem forma para a qual somente a morte oferece uma moldura frágil, com bordas enlutadas."
" Não apenas a vida, mas também a literatura é cheia de parentescos misteriosos."
" ... a vida é matéria suspeita, e somente dentro de certos limites, com certo preparo, se pode aproveitar dela alguma coisa."
" Não tenho boa memória. A aparência de pessoas, períodos de tempo, encontros, passam pela minha lembrança sem deixar rastros, evoco sempre conjuntos de acontecimentos que se ligam por meio de grandes blocos. Nesses blocos, como um inseto pré-histórico imobilizado em resina, uma ou outra figura do passado vive sua vida simbólica. Os que eu deixo ficam para mim apenas como os mortos na lembrança dos vivos. Sou um recordador mal-agradecido. Sempre emerge da confusão indistinta um ou outro personagem, e a seu redor depositam-se os fragmentos de lembranças, como algas marinhas; tenho de limpar das pessoas mais lembradas os detritos com que o dilúvio do passado as recobriu."
" Quando entre as partes do corpo aparece o rosto, termina a puberdade e começa a vida adulta."
" ... a vida não tolera as formas, ela transborda, é uma desorganização sem forma para a qual somente a morte oferece uma moldura frágil, com bordas enlutadas."
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Guess what!
domingo, 21 de junho de 2009
Budapeste
Em silêncio

Perdi o fio das frases, puxo os fios e não encontro as palavras e suas letras. Meu corpo me incomoda, as mãos doem, a cabeça quer por algo para fora. Meus corredores seguem entulhados de lembranças quebradas feito móveis comidos por cupins. A porta de saída não está à vista. Nem deve estar destrancada. Se estiver, será um lance de sorte, ou sortilégio. Não sei a resposta. Não sei onde guardo o material de referência. A questão não envolve estudo ou reflexão. Guardo um segredo de desconhecido idioma. O processo de tradução envolve diálogos sem aúdio. Não posso emprestar os meus livros. Escondo neles minha felicidade. O meu cofre à prova de roubo, sem pudor, espalha-se sobre as minhas estantes. O senso comum me chama de egoísta, no entanto, sinto-me generosa.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Mundo malformado

Um tremendo mau humor juntou-se a sua parcela de raiva e, agora, a bípede perdeu a fala porque o peito rosna. Lê, preto no branco, a letra, infantil e injusta, autora da frase que ordena a seu filho investir mais em suas produções artísticas. Os critérios de acabamento e composição foram parcialmente observados. AP para ele, marca a perita na folha. A bípede e seus dedos e seu estômago e sua mente se contorcem. Porque o pequeno bípede é criativo, estético, e dono de uma grande dose de força de vontade e disciplina. E a pedagoga moderna, de uma escola moderna, cheia de preocupações, o conhece, ou finge, e ainda assim o deixa a ver navios e APs, sem esclarecer a falha e sem lhe dar referências. É mais fácil insinuar que o que ele tem é preguiça.
"Apesar da escola, a criança aprende." Regina Zilbermman
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Indizível

Rói a carne em desordem. Sob a escuridão, esconde os ossos e o par de remos encontrados sem a canoa. A equação segue sem resposta. Indizível. Não sente a catástrofe. Fracassa de maneira vergonhosa e esquisita, como o esmalte vermelho com que se atreve a pintar as unhas dos pés. Não reconhece a criatura que foi no dia anterior. Armazena dúvidas sobre a futura. Não está livre da peste, nem dos vírus para quem, às vezes, dorme, enquanto ri.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Em um samovar

A lareira está acesa, assim como a dorzinha insistente na cabeça. Dormiu bem, os sonhos é que foram maus. Em visita à casa paterna acabou estrangulada pelas mãos distantes do irmão mais velho. Não bastando o sufocamento, teve de ouvir o marido conversar com Nabokov à respeito de uma ninfeta. Falavam em outro idioma, e os sentimentos acabaram ficando russos. Acordou já cansada. Por alguns minutos, seguiu deitada sob os dois cobertores e o edredon. Melancólica, demorou para livrar-se do mal-estar. Não se desapega fácil de sensações. Ficam ecoando, amargas, às vezes, tempo demais, feito um sachê de chá esquecido em um samovar.
Confissões de um burguês II
" ...Na vida não acontecem "grandes coisas". Quando mais tarde olhamos para trás e buscamos o momento em que nos aconteceu alguma coisa decisiva, irremediável - a "aventura" ou o "desastre" que deu forma à nossa vida ulterior -, na maioria das vezes encontramos apenas pistas discretas, ou nem isso. Na verdade, não há outra aventura a não ser a família; não há outra "tragédia" a não ser o instante em que alguém tem de decidir se vai ficar na família e nas variantes de seu círculo amplo de influência, na "classe", na visão de mundo, na raça, ou se seguirá em caminho próprio, sabedor que ficou sozinho para sempre, é livre, embora presa de todos, e apenas ele pode se ajudar..."
" ... O sentimento "social" das crianças é perverso e pouco desenvolvido. Toda criança é gananciosa e defende abertamente a propriedade privada..."
" ... Na família, as atrações dependem de ciúmes, de ambições, de interesses, a condição sofrida-cerimoniosa, a atmosfera doentia, a temperatura falsa e febril do amor não oferece a paz serena, o idílio comovente do desinteresse,da boa vontade, da ausência de propósitos, próprio da primeira amizade entre dois meninos..."
"... Compreendi que a família já não me protegia, e que daquele dia em diante teria de viver em "sociedade"; a "sociedade" era a solidão singular, indisciplinada, disposta a todo o bem e a todo o mal, controlada, infiltrada, pautada, punida, domada por um desígnio grande e poderoso na vigília e no sono, em todas as horas do dia e da noite..."
"... Eu vivia numa solidão ferida, perplexa, a família, o abrigo acolhedor, de algum modo cedera sob meus pés, e não consegui mais reencontrá-la..."
"... E, como na infância, eu me sentava de mãos lavadas, disciplinado, à mesa familiar, e nem o olhar consolador da minha mãe via em mim que eu era entre eles apenas um convidado, que voltava para a família do outro mundo, de alguma agremiação estranha. Procuro manter em equilíbrio essa duplicidade frágil da minha existência; assim é a vida..."
" ... O sentimento "social" das crianças é perverso e pouco desenvolvido. Toda criança é gananciosa e defende abertamente a propriedade privada..."
" ... Na família, as atrações dependem de ciúmes, de ambições, de interesses, a condição sofrida-cerimoniosa, a atmosfera doentia, a temperatura falsa e febril do amor não oferece a paz serena, o idílio comovente do desinteresse,da boa vontade, da ausência de propósitos, próprio da primeira amizade entre dois meninos..."
"... Compreendi que a família já não me protegia, e que daquele dia em diante teria de viver em "sociedade"; a "sociedade" era a solidão singular, indisciplinada, disposta a todo o bem e a todo o mal, controlada, infiltrada, pautada, punida, domada por um desígnio grande e poderoso na vigília e no sono, em todas as horas do dia e da noite..."
"... Eu vivia numa solidão ferida, perplexa, a família, o abrigo acolhedor, de algum modo cedera sob meus pés, e não consegui mais reencontrá-la..."
"... E, como na infância, eu me sentava de mãos lavadas, disciplinado, à mesa familiar, e nem o olhar consolador da minha mãe via em mim que eu era entre eles apenas um convidado, que voltava para a família do outro mundo, de alguma agremiação estranha. Procuro manter em equilíbrio essa duplicidade frágil da minha existência; assim é a vida..."
terça-feira, 9 de junho de 2009
Um ano de silêncios

Um ano de silêncios. Diálogos não escapam de seus contornos. O cérebro parece mais fortalecido. Depois de razoável tempo se exercitando, não consegue parar para o precioso descanso. Dorme acordado. Sofre dormindo. Algumas vozes raras o acalentam com suas melodias. Na maior parte do tempo, processa os ruídos do mundo em montagem. Os sorrisos são mudos; distantes as risadas. Um ano de silêncios pode e não pode ser um bom ano, não importa o vinho. Um ano de silêncios aproxima os livros e reorganiza os fatos. Um ano de silêncios abastece, e ela precisa, e como, de calmaria.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Dias trágicos pedem Drummond
A Verdade Dividida
A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Sándor Márai
Sigo lendo Márai. Entram alguns livros no meio deste percurso, mas é a ele que sigo. Do De Verdade para cá, li mais cinco e estou no sexto. Márai é absoluto, sincero, simples, sempre aberto ao diálogo. Converso com esse velhinho suicida de segunda a segunda, a qualquer hora do dia ou da noite, e ele me surpreende e me acalenta incansavelmente. Seguem abaixo mais frases:
Do livro Confissões de um Burguês:
" Gosto de me demorar como um artesão com as obrigações assumidas, gosto do ritmo corpóreo, físico do trabalho, gosto de me entreter com as inutilidades destinadas ao uso cotidiano."
" Vou caminhar entre os mortos, tenho de falar baixo. No que me diz respeito, alguns entre os mortos para mim morreram, outros vivem em meus gestos, no formato da minha cabeça, no modo como fumo, namoro, e em como às vezes pareço comer certos alimentos a mando deles. São numerosos. Sentimo-nos a sós entre os homens durante muito tempo; um dia, chegamos ao convívio com os mortos, notamos sua presença contida, permanente. Não perturbam muito."
" A vida passa nas trevas, palavras não pronunciadas, gestos que em seu tempo desprezamos, silêncios e medos, assim é a vida, a verdadeira."
" Não era uma família "simples", porque talvez isso nem exista; a família era uma montagem, ódio, paixão e interesses amarravam pessoas de sangue e inclinações diferentes;"
Do livro Confissões de um Burguês:
" Gosto de me demorar como um artesão com as obrigações assumidas, gosto do ritmo corpóreo, físico do trabalho, gosto de me entreter com as inutilidades destinadas ao uso cotidiano."
" Vou caminhar entre os mortos, tenho de falar baixo. No que me diz respeito, alguns entre os mortos para mim morreram, outros vivem em meus gestos, no formato da minha cabeça, no modo como fumo, namoro, e em como às vezes pareço comer certos alimentos a mando deles. São numerosos. Sentimo-nos a sós entre os homens durante muito tempo; um dia, chegamos ao convívio com os mortos, notamos sua presença contida, permanente. Não perturbam muito."
" A vida passa nas trevas, palavras não pronunciadas, gestos que em seu tempo desprezamos, silêncios e medos, assim é a vida, a verdadeira."
" Não era uma família "simples", porque talvez isso nem exista; a família era uma montagem, ódio, paixão e interesses amarravam pessoas de sangue e inclinações diferentes;"
sábado, 30 de maio de 2009
Moeda
Pescado do Não Leia!:
"Na verdade, só existe a direção que tomamos. O que poderia ter sido já não conta. Ninguém aceita essa moeda; nem eu." (Mario Benedetti)
"Na verdade, só existe a direção que tomamos. O que poderia ter sido já não conta. Ninguém aceita essa moeda; nem eu." (Mario Benedetti)
The winner takes it all
I dont wanna talk
About the things weve gone through
Though its hurting me
Now its history
Ive played all my cards
And thats what youve done too
Nothing more to say
No more ace to play
The winner takes it all
The loser standing small
Beside the victory
Thats her destiny
I was in your arms
Thinking I belonged there
I figured it made sense
Building me a fence
Building me a home
Thinking Id be strong there
But I was a fool
Playing by the rules
The gods may throw a dice
Their minds as cold as ice
And someone way down here
Loses someone dear
The winner takes it all
The loser has to fall
Its simple and its plain
Why should I complain.
But tell me does she kiss
Like I used to kiss you?
Does it feel the same
When she calls your name?
Somewhere deep inside
You must know I miss you
But what can I say
Rules must be obeyed
The judges will decide
The likes of me abide
Spectators of the show
Always staying low
The game is on again
A lover or a friend
A big thing or a small
The winner takes it all
I dont wanna talk
If it makes you feel sad
And I understand
Youve come to shake my hand
I apologize
If it makes you feel bad
Seeing me so tense
No self-confidence
But you see
The winner takes it all
The winner takes it all......
Astronauta

Foi jogada da nave mãe feito um alienígena. Por um curto espaço de tempo, ficou presa a ela por um cordão. A ausência de gravidade deu a largada para a era da náusea. Vomitou no próprio capacete, poluindo a visão e o oxigênio. Ignorado o pedido de socorro, decidiu adaptar-se às circunstâncias e à solitude. Logo pegou o jeito. Satélites e foguetes passaram por ela, raspando. Um que outro a sacudiu e arranhou as suas vestes. Os equipamentos vitais permaneceram intactos. Forças da natureza agiram a seu favor. Ela agiu. Cometeu erros, muitos; acertos, também. Deixou-se levar e presa, algumas vezes à velocidade do som e outras à da luz, seguiu vislumbrando, à distância, o intocável planeta azul.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
A louca do prédio

A louca do prédio não é a imaginação, nem é de lua. A louca do prédio fala mansinho e se disfarça de senhora. Com a cara mais de bruxa do que de pau nos acusa. Se não foi você, foi o seu marido, e se não foi ele, foi o seu filho, e se não foi o seu filho devem ter sido os amigos dele porque o que é dela não suja, nem fica velho. A gente que se eduque, porque se tem papel higiênico e absorvente no esgoto, só podem ser os nossos, e, no caso, o meu, e pouca importa a ela se no prédio vivem outras famílias e se eu menstruo ou não, porque a louca do prédio está é verde para colocar a nossa história em um caldeirão.
No supermercado

Rebolativa, empurra o carrinho. A calça jeans skinny elogia o seu traseiro feito de bife. No setor de hortigranjeiros, quanto toca as frutas, quase faz delas um punhado de suco. Joga a cabeleira loira para lá e para cá e arrasta os saltos pernas de pau como se andasse de chinelinho. Nessa hora, sinto inveja. Meus pés sempre me obrigaram a dar a perna a torcer. Cinco centímetros é o meu limite, daí para frente, pura deselegância me conduz. Decido, então, concentrar-me nas compras e rumo a outro corredor. A danada segue o meu passo. Sua mão encosta na minha na prateleira de leite condensado. É enorme. As unhas, mesmo vermelhas, lembram as do Zé do Caixão. Zé do Caixão me estampa medo e repulsa. Ela não percebe, ou ignora. Com uma sobrancelha erguida e peitinho empinado, diz: pode pegar, querida. Olho firme para o rosto não de todo estranho. Já vi. Vi em foto, e, infelizmente, foi por aqui.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Filosofia Sándor Márai
" ... es mucho menos peligroso un malvado que un imbécil. Y los imbéciles abundan sobremanera. Ellos sí que son peligrosos."
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Agulha
terça-feira, 26 de maio de 2009
And the inveja goes to ...

Hostilidade gratuita é manifestação de inveja. Não adianta a voz articulada e o sorriso ensaiado. O conteúdo revela o ser e a ausência de ser. Se conto sobre os óvulos férteis, ela fala sobre a infertilidade de assuntos, como se a portadora de outro corpo jamais tivesse algo a dizer. Porque não a escuta, a imagina muda. Porque se imagina culta dispensa livros e cinema e sensibilidade. Se define pelo currículo da fama e pelos centavos no banco. O resto é o resto. As certezas são certezas, uma coisa é sempre uma coisa e outra coisa é sempre outra coisa. Não vê o caminho do meio, só as pedras, que arremessa, desajeitada, com o seu próprio peso.
Mudança
Mudou a vida inteira. Mudanças graduais, quase invisíveis. Nada claro, pré-estabelecido. Deixava-se levar pelo ritmo e pelas consequências, tantas vezes, evitáveis. Achava bom. Mentira, não achava nada! Faltava senso crítico, quem sabe vontade? Mudou, então, na essência. E agora muda porque quer, sabendo a direção, eliminando essa ou aquela possibilidade. Um jeito novo e mais verdadeiro mesmo que sujeito a erros.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
O grande Sándor Márai

Sándor Márai é o meu gênio, sem lâmpada ou tapete mágicos. O voo se dá pelas palavras. Atende os desejos com idéias. Rega emoções com verdades. Sándor Márai suicidou-se aos 89 anos longe do desespero, perto demais da dignidade. Cuidou de sua L. até o fim, grato por ter com ela compartilhado toda sua vida. L foi sua pátria e sua letra. Guapa mesmo velhinha. Sándor Márai tinha nos olhos um telescópio; na cabeça, lucidez.
Dos diários, falando sobre o que lê:
21 de maio de 1985
" Todas las noches, después de atender a L., Sófocles. Edipo no tiene complejo de Edipo. Lucha contra los hechos, no contra el complejo."
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Mr. Bípede and Mr. Big
Mr. Bípede
sente
ciúmes.
Não percebe
a ruga na testa,
as sombrancelhas grossas,
the moon river
na rotina
e no olhar da bonequinha
de
lixo.
A bonequinha de lixo
grita e
chora
e diz
you cant' do this to me again
e
suspira
e fantasia
com o Mr. Big,
e usa um colar Carrie
e o perdoa
como se ela
fosse.
sente
ciúmes.
Não percebe
a ruga na testa,
as sombrancelhas grossas,
the moon river
na rotina
e no olhar da bonequinha
de
lixo.
A bonequinha de lixo
grita e
chora
e diz
you cant' do this to me again
e
suspira
e fantasia
com o Mr. Big,
e usa um colar Carrie
e o perdoa
como se ela
fosse.
Meu namorado francês

Meu namorado francês me escreve curtos emails. Meu namorado francês insiste na chama morta da adolescência. Meu namorado francês tem um filho e uma mulher má que se matou quando ele ia deixá-la. Meu namorado francês me vê uma vez a cada década e me chama de alegria quando lê sobre minha maternidade. Meu namorado francês mora em Paris e sonha com Porto Alegre. Meu namorado francês tem e não tem riquezas. Meu namorado francês é pródigo e ingênuo. Meu namorado francês é amigo de meu marido. Meu namorado francês vive à margem de um rio tão sem água, que me confunde com o seu parco oxigênio.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A moça

A moça tem ideias esdrúxulas. Por pudor, não comenta. Não abre o jogo em parte por preguiça, um tanto por ser a moça. Diz o seu filho que ela é boa motorista. Não é verdade. É quase. Vá ver ela estacionando! O seu sonho de consumo é um Tudo Fácil automobilístico: rodas virando em direção a calçada e um modelo de carro auto-limpante. Enquanto nenhum cérebro se dedica a tal proeza, segue no seu piloto automático, fazendo coisas com a sua cara de moça. A moça tem ideias esdrúxulas. Nada do gênero abraçe o seu vizinho e ligue para a sua sogra em seu dia. São só ideias, mas isso fica para outra hora senão ela perde a fantasia.
11 de abril de 1985
Dos diários de Sándor Márai:
" La libertad es un asunto privado. No existe la libertad institucional. El ser humano sólo puede alcanzar la libertad - de una u outra manera - a solas y gracias a su propi tenacidad. Y además por poco tiempo."
" La libertad es un asunto privado. No existe la libertad institucional. El ser humano sólo puede alcanzar la libertad - de una u outra manera - a solas y gracias a su propi tenacidad. Y además por poco tiempo."
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Que livro você é?
Para a Bípede deu o Memórias Póstumas de Brás Cubas. O que será que vai dar pra você?
http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml
"Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml
"Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro... Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade - um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.
sábado, 9 de maio de 2009
you can dance

O pensamento anda quebrado. Não é fácil montá-lo. Falta ou sobra uma palavra. Bate a preguiça. Em compensação, dorme melhor. A pele dispensa o blush. O corpo, exigente, segue pedindo exercícios. Um pouco de folga também cai bem, quase tanto quanto uma aula de walk dance. You can dance, mesmo não sendo uma bailarina, e não precisa ser nos embalos de sábado à noite. Nada precisa ser como no cinema. Aliás, tomou-se de ira pela telona e que ninguém repita que a ira é um sentimento humilhante. Depois da queda do império celeste, os pecados capitais podem dar as caras, desde que se reconheçam e deixem a moça livre em sua insignificância.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
quarta-feira, 6 de maio de 2009
cocorococó

Era assim: frio na maior parte do tempo. Ruas vazias durante o dia; completamente fantasmas à noite. Do quarto, se ouvia o trem passar e o canto do galo. No cinema, sempre Trinity, kung fus e Teixerinha. Uma vez, Chica da Silva e a Batalha dos Guararapes disputando o prêmio do pior filme da história. Na escola, uma canjica boa, nem tudo estava perdido. Havia também a bicharada mamífera e suas crias amaciando os corações quase endurecidos. E havia pinhão assado em fogão à lenha e uma biblioteca bem gorda no gabinete. A criatura, então, até parecia contente vivendo no ninho com outras aves e biscas, parecia. É fácil parecer. Todo mundo parece qualquer coisa, mesmo os depenados e os de asas mais cortadas, a criatura que o diga, ela que poderia ter sido, pelo menos, um pouco mais galinha.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Cursiva

O lance é o seguinte: a criatura finalmente aprendeu a escrever com letra cursiva. Aprendeu na marra, na tarefa de ajudar o filhote e, desde então, voltou ao passado, à terceira série da prof. Avelina - aquela professora já velinha que insistia com o caderno de caligrafia. Aí, a criatura começou a achar assim um pouco feia e perdida a tal letra script e deu um banzo com o teclado do micro, com o monitor do micro, com o micro. Bateu na cabeça o Em Algum Lugar do Passado versão 2009, e certa revolta instalou-se nos dedos e, agora, para teclar, a bípede tem de fazer um esforço e outro e esforço e isso tudo tá dando um enorme cansaço.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Espelho meu

Liberdade se compra dizem as meninas de saia justa. Não basta trabalhar. A dupla jornada sempre acorrentou as fêmeas de classes mais baixas, oprimidas também. Tem de ter verdadeira remuneração para ser o quê ninguém mais sabe dizer. O mundo dos machos precisa ser desbancado. Uma delas vem da mesma pequena cidade desta bípede já não tão falante. Chora quando se emociona e sente vergonha por ser feminina. As outras acham melhor rir, falar de quem tem lágrimas. A bípede fica no meio do caminho das sensações, quase cambaleante. Embora consciente, parece embriagada. Esqueceu-se em um piscar de olhos. Pergunta ao espelho mágico diariamente: espelho, espelho meu, quem sou eu? E nada. Nem um verbo. Só o silêncio e os olhos nos olhos de uma imagem à procura de expressão.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Inabalável

Outra vez em um micro que não é o meu, sentada em uma cadeira que não é minha. Meu escritório fechado, lutando eternamente contra a metastase de suas paredes. Sangrou depois da pintura vermelha, e coágulos iguais aos meus ocuparam os metros quadrados. Pareceu ganhar vida um pouco antes da morte. Cena de filme de horror. Veio o pedreiro de sempre com suas ferramentas de sempre fazer o que não sabe. Meus livros jogados à deriva do pó e do desprezo, um plástico preto cobrindo os corpos, e o pedreiro ali, torcendo os bigodes, indiferente a minha ansiedade como se eu fosse feita de cimento ou qualquer outra porcaria de natureza inabalável.
terça-feira, 31 de março de 2009
Igual a tudo na vida

A moça de capa pegou a marreta encostada no muro e deu o primeiro golpe. Bum! O braço sentiu o esforço, doeu um pouco sobre o inimigo empolgante. Massa cinzenta espalhou-se no tapete recém bordado. A nova estampa deu vida. Um lance meio mágico. Bateu a vontade de sair voando feito um heroi, no caso, heroina. Colocou os óculos para ver melhor, aspirou para sentir melhor e, com o pézinho torto, deu uma cutucada. O bicho se moveu. Opa! Que susto. Olhando de cima, uma leve ternura quis dar as caras, e ela, em um movimento lento, fez um biquinho. Tum-tum fez o coração antes do segundo golpe e de ela pensar que maravilha!
sexta-feira, 27 de março de 2009
Outono

Allegra outra vez. Saiu de casa espirrando. No supermercado, tentaram socorrê-la. Por uns segundos pareceu não respirar. O caixa, assustado, perguntou: moça, você está passando mal? Não, disse ela, humilhada. Tem enorme dificuldade de aceitar as fraquezas do corpo. Da alma, já compreende um pouco. Fez as pazes com o amor desde que lhe concedeu a prerrogativa do erro. Ok, você não é perfeito, mas, please, não seja preguiçoso. Ela detesta preguiça. Se bem que anda meio sem pressa, precisando de vento e vontade para trocar de pétalas e existir, de verdade, no outono sem flor.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Reage mal em dias quentes de noites frescas. Bate a preguiça. Boceja. Sente sede. A cabeça dói um pouco. Teimosa, custa a aceitar as oscilações climáticas. Tem um lado saskuat permanente. Cansada, abandonou o alfabeto. Não se conforma com reformas ortográficas. A palavra dói tem acentou ou não? Parece que tinha. Vai ver é a sensação de perda que a irrita. Ela anda irritada. O pavio encurtou à força de dissabores. Nem de bolo gosta mais. Quase não compra açúcar. Cada vez come menos sal.
sexta-feira, 20 de março de 2009
Depois da infiltração, falta água no prédio. Não tem uma gotinha de água saindo das torneiras e a parede do escritório segue manchada. O vermelho escuro, uma das minhas excentricidades pós trombose, sangra aqui em frente ao meu nariz. O encarregado do problema trabalha parcelado. Vem quando quer, terminará do mesmo jeito. Enquanto isso, vou amansando meu perfeccionismo cada vez mais em queda. Deixei detalhes de lado nesses últimos anos. Por um lado é bom. No ano passado, quando fizemos uma restauração aqui e o quarto novo do Henrique, o marceneiro me disse: Dona Helena, se a senhora fosse arquiteta, todo mundo ia querer lhe contratar, mas ninguém ia querer trabalhar com a senhora. Eu dei risada. Dou até hoje porque, além do olho clínico para o erro, sou mesmo muito exigente. Mas venho mudando, caindo na real de que a realidade não se dá muito bem com linhas retas. A mecânica tem de se adaptar ao caos.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Período de isolamento humano
" Que isolamento é esse? - pergunto. É aquele que hoje reina em toda parte e sobretudo em nosso século, mas ainda não se concluiu inteiramente, nem chegou a sua hora. Porquanto hoje em dia qualquer um procura dar mais destaque à sua própria personalidade, deseja experimentar em si mesmo a plenitude da vida, e, no entanto, em vez de plenitude da vida, todos os seus esforços resultam apenas no suicídio, pois ele acaba caindo no isolamento em vez de alcançar a plena determinação de sua essência. Pois que em nosso século todos se dividiram em unidades, cada um se isola em sua toca, cada um se afasta do outro, esconde-se, esconde o que possui e termina ele mesmo por afastar-se das pessoas e afastá-las de si mesmo. Acumula riqueza isoladamente e pensa: como hoje sou forte e como sou abastado! mas o louco nem sabe quanto mais acumula mais mergulha em sua loucura suicida. Porque se acostumou a esperar unicamente de si e separou-se do todo como unidade, acostumou sua alma a não acreditar na ajuda dos homens, nos homens e na humanidade, e não faz senão tremer diante do fato de que desaparecerção seu dinheiro e os direitos que adquiriu. Hoje, e toda parte, a inteligência humana zomba ao negar-se a compreender que a verdadeira garantia da pessoa não está em seu esforço pessoal isolado, mas na unidade geral dos homens."
Fiódor Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski
segunda-feira, 16 de março de 2009
sopram ventos desgarrados
Desgarrada no vento sul ela vive porque a guria nasceu no interior em meio ao cheiro do gado e agora vive na cidade sem pasto nem flor.
Eles se encontram no cais do porto pelas calçadas
Fazem biscates pelos mercados, pelas esquinas,
Carregam lixo, vendem revistas, juntam baganas
E são pingentes das avenidas da capital
Eles se escondem pelos botecos entre cortiços
E pra esquecerem contam bravatas, velhas histórias
E então são tragos, muitos estragos, por toda anoite
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho
Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será
Cevavam mate,sorriso franco, palheiro aceso
Viraram brasas, contavam casos, polindo esporas,
Geada fria, café bem quente, muito alvoroço,
Arreios firmes e nos pescoços lencos vermelhos
Jogo do osso, cana de espera e o pão de forno
O milho assado, a carne gorda, a cancha reta
Faziam planos e nem sabiam que eram felizes
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho
Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será
Eles se encontram no cais do porto pelas calçadas
Fazem biscates pelos mercados, pelas esquinas,
Carregam lixo, vendem revistas, juntam baganas
E são pingentes das avenidas da capital
Eles se escondem pelos botecos entre cortiços
E pra esquecerem contam bravatas, velhas histórias
E então são tragos, muitos estragos, por toda anoite
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho
Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será
Cevavam mate,sorriso franco, palheiro aceso
Viraram brasas, contavam casos, polindo esporas,
Geada fria, café bem quente, muito alvoroço,
Arreios firmes e nos pescoços lencos vermelhos
Jogo do osso, cana de espera e o pão de forno
O milho assado, a carne gorda, a cancha reta
Faziam planos e nem sabiam que eram felizes
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho
Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será
domingo, 15 de março de 2009
Camarada

Tenho andado exilada. Escapei pelo ralo contra minha vontade. Fui com a água suja em meio ao sabonete não de todo derretido. Um pouquinho de perfume ficou. Uma bolha de leveza bio-degradável. O que quase não resta é o riso. O bom humor fez bum e lá veio o ácido e a ironia à prova de remorso, porque a mente já não se importa mais quando é cruel e raivosa, mesmo tendo sido por anos tolerante e amigável. Hoje, é esquisita e um pouco cega como os meus olhos sedentos dos óculos que não uso por ojeriza de ir aos médicos e especialistas; porque a revisão do carro poluiu as ideias e os desejos, e o câmbio deixado de lado automatizou também a rotina e o relógio e o corpo, e o que foi, como canta o Barbará, nunca mais será. Nem as lágrimas.
Infiltração

O relógio anda e nada se ajeita. A calma vai escorregando e lá vem a infiltração, a mancha e o mofo. Nada saiu conforme o planejado? E havia planos? Não, o acaso vai nos proteger. Vai? E quando houve e houve com fé? O mesmo conhecido resultado. Curvas perigosas atropelando as árvores e os passageiros da estrada. Falta de sorte. Existe sorte? Como se mede a sorte? E o vice-e-versa? Tem cara e coroa na moeda? Quem joga a moeda é o fabricante ou apenas aquele ali que passa? E a aliança que cai deste ou daquele lado do muro? Caiu mesmo por quê? E o talento que acorda e adormece e morre por falta de afeto e tique-taque? E quando tudo parece errado então está tudo 100% certo? Por que 100% certo nunca, jamais, em qualquer instante, nada parece, só quando está errado, e aí bate um cansaço.
sábado, 14 de março de 2009
humanidade karamazoviana

" A tolice é curta e ingênua, já a inteligência tergiversa e se esconde. A inteligência é um canalha, mas a tolice é franca e honesta."
" E o homem realmente inventou Deus. E o estranho, o surpreendente não seria o fato de Deus realmente existir; o que, porém, surpreende é que essa idéia - a idéia da necessidade de Deus- possa ter subido à cabeça de um animal tão selvagem e perverso como o homem."
" Não é Deus que não aceito, entende isso, é o mundo criado por ele, o mundo de Deus que não aceito e não posso concordar em aceitar."
" Ainda se pode amar o próximo de forma abstrata e às vezes até de longe, mas de perto quase nunca."
" Da casa de meus pais levei apenas as lembranças mais preciosas, porque para um homem não há lembranças mais preciosas que aquelas da primeira infância em casa dos pais, e é isso que acontece quase sempre, mesmo se numa família existe apenas um pouquinho de amor e união. Aliás, até da pior família se pode conservar lembranças preciosas, contanto que a alma seja capaz de procurar o precioso."
sexta-feira, 13 de março de 2009
Adeus também foi feito pra se dizer

Então, ela livrou-se de deus. Não o aceitou como pai; o terreno já foi demais para sua única vida. Fechou a criatura dentro de um romance e o colocou na estante dos livros apenas livros. Ufa! Demorou. O pai de carne e de osso e de piração usou e abusou da palavra cristã, rolando a filha nos círculos do inferno. Quando chegou a hora de passar ao purgatório, o enjoo era tanto que a aversão ao caminho da luz superou à do vômito. Antes os fluídos e a degradação do corpo a ter de sucumbir nas incoerências do rebanho. Você não tem medo do juízo final, uma alma boazinha lhe perguntou com os olhos inexpressivos. Não, ela respondeu tranquila, sem tremor e trema, balançando-se na rede e já pensando em uma boa picanha pra hora de comer.
Então, ela livrou-se de deus. Não o aceitou como pai; o terreno já foi demais para sua única vida. Fechou a criatura dentro de um romance e o colocou na estante dos livros apenas livros. Ufa! Demorou. O pai de carne e de osso e de mau-humor usou e abusou da palavra cristã, rolando a filha nos círculos do inferno. Quando chegou a hora de passar ao purgatório, o enjoo era tanto que a aversão ao caminho da luz superou à do vômito. Antes os fluídos e a degradação do corpo a ter de sucumbir na incoerências do rebanho. Você não tem fé, nem esperança, uma alma boazinha lhe perguntou com os olhos arregalados. Não, veja só onde eu não me meti, ela respondeu tranquila, sem tremor e trema.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Recomeçar

Os micros doentes da família bípede estão curados. Nenhum espirro restante. A rotina de volta e de verdade. O verão foi esquisito. Quando uma máquina queria fazer sua parte, a outra tratava de melar o pacote. Demoraram os doutores do assunto a exterminar os problemas. O que aconteceu ninguém explicou direito. Não importa mais. A bípede pode postar mensagens. Há tanto tempo parada nem tem ideia sobre o quê. Ou tem. Falta retomar o ritmo, assim como o estudo. O material está pronto, ansioso para ser usado. Mas ela não costuma ser ansiosa; portanto, espera the right moment escondido logo ali.
P.S. Como nada é perfeito, ainda não é possível escrever um título com mais de uma palavra. Símbolos tomam os seus lugares. Alguém sabe dizer o porquê?
segunda-feira, 2 de março de 2009
março

Meu micro enlouqueceu, minha Internet me escapa, signos que desconheço tomam o lugar das letras que digito. Escrever um título com duas palavras virou missão impossível. Visitar outros blogs, idem. O último mês foi de exílio virtual forçado. Espantosamente, hoje, apesar do enorme banho de chuva, está tudo dando certo: eis aqui um novo post feito nas águas de março just to say Im alive, muito, muitíssimo.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Pedrada

Pela manhã relê o Retrato de Dorian Gray. Dez anos fechado na estante. Algumas anotações piscando na mente eterna. À noite, abre os irmãos castigo e, ampliando seu lado karamazoviano, equilibra, de leve, as mágoas. Ela não se dá bem em família. Nascida por acidente, acredita piamente em acidentes. Não crê mais em Deus Pai; em pais menos ainda. Sofre. Perder a fé machuca, suspende a leveza. A mãe foi ficando pesada e um dia morreu. Sete palmos debaixo do chão natal lhe foram destinados e o assunto foi dado como encerrado. O pai, ao contrário, flutua. Trocou o sangue por ar, simples ar. Igual a um balãozinho vai vivendo, ora para cá, ora para lá. O importante é não ter rumo, nem hóspedes, nem vínculos. Com ela, não se abre. Ela agradece e de verdade. Não suporta a mangueira de reclamações e injustiças. A temperatura das palavras desorganiza o seu controle. Há anos, apesar das provocações, investe em calma. Persistente, recusa-se a trocar de projeto. Talvez, conservadora seja sua natureza. Sensível, é. Quem dera não fosse tanto. Quem a conhece, não acredita. Ela não chora. Bebe copos e copos de água. H2O e lamento de sobra em seu corpo e nada, nem uma gota escorre e, no entanto, sofre. Não é tímida, nem cheia de pudores. Vergonha só de derramar-se em público. Uma bobagem, ela sabe. As pessoas amam o trágico. Eis aí o verdadeiro amor, o amor à primeira e confusa vista, o amor doa a quem doer da dor que amarra e não civiliza. E ela sofre e não chora, talvez, por isso, sinta-se, assim, apedrejada.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
this side of paradise

Caiu dentro de uma enxaqueca. O tombo foi grande; a dor maior ainda. Junto apareceu a náusea, o transatlântico sem identidade que a persegue. A criatura cresceu navegando em águas turvas, com a mente e as emoções girando em um caleidoscópio perdido. Caixas de Dramin e Plazil tentaram equilibrar o ritmo. A família competente fez sua parte. Uma década de terapia ainda não desfez os nós, nem cerziu os buracos. O vômito escorre até em sonhos.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Im back

Enfim, sem as melenas de Rapunzel. Um chanel repaginado de volta à cabeça da Bípede. Depois de um ciclo extravagante de crinas ao vento, a criatura reassume seu lado new old Christine. O pequeno bípede, um pouco contrariado e ainda sob a influência do mundo princesas, diz prefiro o jeito que estava antes. A bípede segue sorrindo. Parece bobagem, mas como um cabelo faz a gente feliz!
Sakamoto no ipod
Kissing in the calm of a lonely station
Cradled in the arms of the great creation
We forget the future and the past is gone
And every road that bends is where the world begins and ends
Shaking all the pain of the life we're living
Stay can ever clean wan a does forgiven
Because it beats believing that we've been deceived
And now we're free to fly it's not a duty to descend
Dreaming of the day when my eyes can open
Opening my eyes to the day that's dawning
Where the sky is higher, where the road is long
Until we're lost in wonder where the world begins and ends
Feeling all the wheels turn, carry me over
Take me to the place, push me further and further
From imagination and the chains of freedom
Not a destination just a place where i can be
What i want, and what i need, it's the same thing
Same dream, same destination
Cradled in the arms of the great creation
We forget the future and the past is gone
And every road that bends is where the world begins and ends
Shaking all the pain of the life we're living
Stay can ever clean wan a does forgiven
Because it beats believing that we've been deceived
And now we're free to fly it's not a duty to descend
Dreaming of the day when my eyes can open
Opening my eyes to the day that's dawning
Where the sky is higher, where the road is long
Until we're lost in wonder where the world begins and ends
Feeling all the wheels turn, carry me over
Take me to the place, push me further and further
From imagination and the chains of freedom
Not a destination just a place where i can be
What i want, and what i need, it's the same thing
Same dream, same destination
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
indicados para o meme-selo
http://depositomaia.blogspot.com/
http://semcerimonias-claudinha.blogspot.com/
http://nelaescribano.blogspot.com/
http://deuscego.blogspot.com/
http://trans-piracao.blogspot.com/
http://nonleia.blogspot.com/
http://semcerimonias-claudinha.blogspot.com/
http://nelaescribano.blogspot.com/
http://deuscego.blogspot.com/
http://trans-piracao.blogspot.com/
http://nonleia.blogspot.com/
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Entre os Karamázov

Meu décimo segundo Dostoiévkski foi o seu último romance. Esperei muito por ele. A tradução feita do francês sempre esteve nas minhas estantes. Seria um crime de incomensurável castigo lê-la sabendo que o Paulo Bezerra trabalhava na tradução direta do russo. Esperei, esperei, esperei de verdade, sem mentira.
Lá vai, página 72:
" O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade em si, nem nos outros, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais. Sem respeitar ninguém, deixa de amar e, sem ter amor, para se ocupar e se distrair entrega-se a paixões e prazeres grosseiros e acaba na total bestialidade em seus vícios, e tudo isso movido pela contínua mentira para os outros e para si mesmo. Aquele que mente para si mesmo é o primeiro que pode se sentir ofendido. Porque às vezes é muito agradável ofender-se, não é mesmo? É que ele sabe que ninguém o ofendeu, e que foi ele mesmo que inventou a ofensa e mentiu para enfeitar, ele mesmo exagerou com o fito de criar um quadro, aferrou-se à palavra e de um argueiro fez um cavaleiro -, ele mesmo sabe disso e ainda assim é o primeiro a ofender-se, e ofender-se a ponto de achar isso agradável, de experimentar uma sensação de grande prazer, e assim chega também a uma animosidade verdadeira..."
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Sem orações

O pequenino assiste 101 dálmatas encantado pelo traço do desenhista. Se tivesse de começar a trabalhar hoje diz que faria animações nunca antes vistas. Sua mãe quando bem jovem quis estudar comunicação visual. O pai de sua mãe não concordou com a idéia. Não costumava concordar, incentivar, acreditar. A mãe da mãe, sim, era artista. Adorava a figura humana, esmerava-se em explicar perfis, sombras, perspectivas, expressões. A filha herdou parte de seu talento. Em um rolinho de papel vegetal desenhou vários filhotes preto e branco para sua sobrinha querida olhar por detrás de uma janela em uma tarde triste de um hospital. Funcionou feito um remédio. Um dia a mãe do pequenino pretende ter aulas. Carrega muitas pretensões. Quase todos os dias para um pouquinho para ver a mão direita do filho brincar de aquarela, de artista, de deus. As crianças brincam de deus. Os artistas são deuses sem orações.
Na praia

Nos canais abertos nem sinal da posse do Obama. Dirige rumo ao Leblon mais uma das Helenas do Manoel Carlos. Novela sempre que se liga a TV. Os meninos estão brincando no quarto enquanto o sol não volta de suas férias. Deu lugar a um vento sul irritante. Para completar o dia, o blog não aceita postagens. É possível que essas palavras virem areia. A bípede não anda falante. Precisa falar com o Dr. Caramujo. Tem lido mais por necessidade do que por opção. Terminou o Inédito de Kafka convencida de que cedo ou tarde a invisibilidade supera os raios de raiva e de fé. Aderiu a melancolia das páginas e agora repassa os contornos dos que se desconfiguraram de sua história. Olha para os dedos levemente coloridos pela praia. Até quando serão matéria iluminada? Leu também o Homem no Escuro. O Paul Auster de sempre, repetindo-se até entediar, se bem que o lápis deslizou por entre as linhas. Tantas nuances por entre elas, códigos e mensagens poucas vezes fingindo-se de secretos.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Questionário da Marie Proust
1. Livro que marcou sua infância: A chave do tamanho;
2. Livro que marcou sua adolescência: O grande Gatsby;
3. Autor que mais admira: Raduan Nassar e os russos;
4. Autor contemporâneo: Raduan Nassar!;
5. Leu e não gostou: esqueci completamente do que não gostei;
6. Lê e relê: Lavoura Arcaica, O Grande Gastby e De Verdade;
7. Mania: cheirar os livros, passar a mão nas capas e páginas favoritas; colocar setas, escritos e, às vezes, colagens por entre as folhas;
8.Livros que quer ler: está sendo lido O Inédito de Kafka. Os próximos serão: Os irmãos Karamazov, The Tales of Beedle the Bard, e O Homem no Escuro. Depois, não faço a mínima idéia.
2. Livro que marcou sua adolescência: O grande Gatsby;
3. Autor que mais admira: Raduan Nassar e os russos;
4. Autor contemporâneo: Raduan Nassar!;
5. Leu e não gostou: esqueci completamente do que não gostei;
6. Lê e relê: Lavoura Arcaica, O Grande Gastby e De Verdade;
7. Mania: cheirar os livros, passar a mão nas capas e páginas favoritas; colocar setas, escritos e, às vezes, colagens por entre as folhas;
8.Livros que quer ler: está sendo lido O Inédito de Kafka. Os próximos serão: Os irmãos Karamazov, The Tales of Beedle the Bard, e O Homem no Escuro. Depois, não faço a mínima idéia.
Janeiro

Com a sacada inundada, decidiram voltar. Uma semana sem sol pondo à prova a criatividade da família e o potencial da pequena cidade. Foram para a estrada. Passaram por ela um pouco antes do surgimento da cratera e do manto de água. Em casa, enquanto desmanchavam o pinheiro de Natal, ouviam, na CNN, o ataque de Israel à faixa de Gaza. Na bolsa da moça, ela trazia dobrada em muitas partes a página do jornal que cancelara o projeto futuro e o ano passado. Na cozinha, começava a cheirar um bom feijão. Decidiram sair para comer fora no novo shopping. Talvez, pegar um cinema. Acabaram nas livrarias. Eles escolhendo filmes e histórias; a moça revistando as prateleiras jurídicas já de olho em novas canetas e à procura de um novo formato para o habitual estudo.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Férias
Para os meus bloguistas
Porque nós não somos o Wall-e nem a Eva, com a memória da época em que eu era uma menina, desejo um 2009 diferente: mais honesto, mais amoroso, mais solidário e mais humano.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Para os amigos

Minha mestra me enviou. Repasso para vocês.
DEZEMBROS
Os dezembros possuem uma suave mistura de saudade com esperança...
Dezembro é encruzilhada, princípio e fim, encontro de passado e futuro; hora de reflexão e de desejos, de enxugar as lágrimas do que não volta mais e de expectativa pelo que ainda virá.
É hora de repensar os erros e de reforçar os acertos.
Mês de sermos mais humanos e estarmos mais sensíveis.
É quando eu tomo mais consciência de minha impermanência diante do eterno e do infinito. E do quanto certas coisas às quais costumo dar importância são irrelevantes. E de como às vezes descuido de outras que são essenciais.
Dezembro é extremo, é decisivo.
É o mês em que nos tornamos melhores.
Dezembro é festa. É promessa de mudança, é chama acesa!
Dezembro é exceção, mas deveria ser rotina.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Buraco

Perdeu a voz e os movimentos. Estancou em uma terça-feira de sol. Ninguém presente. Um dezembro de gente apressada demais para olhar além das sacolas. Ela e o menino desenhando corações rasgados, jogando os pedaços no lata de lixo. Não era para doer. Foram iludidos. Algumas pessoas erram, outras enganam, ou se enganam. Ela não tem respostas. Encontrou perguntas, uma parte percorrida por livre e espontânea vontade. Vontade não basta. O saco é sem fundo. O saco é imortal.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Itaqui
Para os amigos que me acompanham, independente do meu grau de dramaticidade, que não costuma ser pouco, o esclarecimento de que, apesar dos pesares, a criatura se classificou, o que diante do acontecido, serve como consolo, só não serve ser chamada para ir trabalhar em Itaqui.
Mais gavinhas

Jantaram na cobertura, ouvindo Guilherme Arantes cantar no Parcão. O senhor bípede esmerando-se com uma comida mexicana para amenizar o domingo, o pequeno de 1.25 e 24 quilos, magrinho, estendo braços fofos de amor sobre a mãe, a essas alturas, também, um tanto magrinha. Uma manhã turbulenta, uma tarde de alguns risos diante do 86 e de sua 99, um final de dia regado a Machado de Assis, permeado pelo trágico e pelo cômico das ilusões. A noite, os três ali, comendo sem pressa, aprendendo, juntos, a importância de zelar por suas estimadas gavinhas.
From Marie

" ... há uma magia contundente em ser sobrevivente. Sabe-se que, aconteça o que acontecer, vai-se voltar do mergulho, outra, mil vezes, e ainda ser a mesma. Aquela dura essência que teima em vicejar, sorrir e cantar mesmo na lama, mesmo na pedra. Há almas cujas gavinhas são essencialmente teimosas. "são raras, são poucos, são loucos"..."
Lanterna dos afogados

Não levou o celular conforme sugeria o edital. Na sala, arejada e silenciosa, uma caixa forrada de um contact floral guardava, ensacados e identificados, os aparelhos de quem não conseguira se separar do seu. A moça friorenta de casaquinho parecia calma. Certo contentamento passava por sua caneta. Um texto Clarice Lispector comandava as perguntas da língua mãe e de uma série de outras que traziam respostas à flor da pele. Decidiu colorir a grade de gabarito. Deixar pronto o que estava pronto, para, então, enfrentar umas poucas desconhecidas e umas que outras, em que em uma primeira leitura pairara dúvida entre duas respostas. De repente um trrrrrrumm, trrrrummmm, trrrrummm e um grito de ôpaaaaaa, e o pulo na cadeira e a mão feito uma pedra empurrando a caneta, e a tinta azul, sem perder tempo, a percorrer uma parte do gabarito de lado a lado. Quem está com o telefone, perguntou o fiscal enfurecido? O outro, mais calmo, com os olhos na caixa. Uma gordinha de cabelos enbranquecidos e voz meiguinha levantando a mão para falar deve ser o meu, que não desliguei porque não sabia como. E o silêncio de volta à sala. Aparentemente, ninguém incomodado, a não ser a moça de casaquinho, fazendo enorme esforço para evitar o choro, pedindo ao fiscal que viesse testemunhar o que havia acontecido, que visse as respostas que estavam sendo marcada antes do acidente. Olha, elas estão certas, por favor, faça alguma coisa. E ele, com cara de tédio, indiferente à súplica, apenas sacudindo a cabeça em negativa, preso a um agora é tarde, está rasurada, tente apagar se for possível, sem perceber a água e a dor afogando o cérebro, o ano e a moça.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
18 de setembro de 1965

Data de nascimento: 18 de setembro de 1965.
Profissão: agentes secretos.
Codinome: 86. Nome: Maxwell Smart.
Codinome: 99. Nome: Susan Hilton
As caixas com as duas temporadas estão aqui, elas e o telefone e o pequeno bípede enlouquecido com o sistema de ligação. A mãe bípede também. Quando criança, discava 231-1392 com o indicador, ouvindo os rrrrrrrss do aparelho. Os dois fãs não se aguentam de excitação. Domingo, depois da chuva ou do sol, viva as férias, a TV e o DVD. Get smart!
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Leituras a partir de 1 de janeiro de 2012
1. Bilhete seco - Elisa Nazarian
2. Quando fui morto em Cuba - Roberto Drummond
3. O retrato de Oscar Wilde Fragmentos
4. Estrela miúda breve romance infinito - Fabio Daflon
5. Poemas - Wislawa Szymborska
6. Mar me quer - Mia Couto
7. Estive em Lisboa e lembrei de você - Luiz Ruffato
8. O pai invisível - Kledir Ramil
9. Poemas de Eugénio de Andrade - Seleção, estudo e notas de Arnaldo Saraiva
10. Os da minha rua - Ondjaki11. A máquina de fazer espanhóis - Walter Hugo Mãe
12. Vigílias - Al Berto
13. Poemas concebidos sem pecado - Manoel de Barros
14. Face imóvel - Manoel de Barros
15. Poesias - Manoel de Barros
16. Compêndio para uso dos pássaros - Manoel de Barros
17. Gramática expositiva do chão - Manoel de Barros
18. Matéria de Poesia - Manoel de Barros
19. Arranjos para assobio - Manoel de Barros
20. Livro de pré-coisas - Manoel de Barros
21. O guardador de águas - Manoel de Barros
22. Concerto a céu aberto para solos de ave- Manoel de Barros
23. Quinta Avenida, 5 da manhã - S. Wasson
24. A literatura em perigo - Tzvean Todorov
25. O remorso de Baltazar Serapião- Walter Hugo Mãe
26. Lotte & Zweig - Deonísio da Silva
27. Indícios flutuantes (poemas) - Marina Tsvetáieva
28. A duração do dia - Adélia Prado
29. Rua do mundo - Eucanaã Ferraz
30. Destino poesia Antologia - organização Italo Moriconi. Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto e Waly Salomão
31. Tarde - Paulo Henriques Britto
32. Correnteza e escombros - Olavo Amaral
33. Nelson Rodrigues por ele mesmo
34. A última coisa que eu pretendo fazer na vida é morrer - Ciro Pellicano
35. O encontro marcado - Fernando Sabino
36. O óbvio ululante - Nelson Rodrigues
37. O grande mentecapto- Fernando Sabino
38. O homem despedaçado - Gustavo Melo Czekster
39. Dia de São Nunca à tarde - Roberto Drummond
40. O canto do vento nos ciprestes - Maria do Rosário Pedreira
41. Antes que os espelhos se tornem opacos - Juarez Guedes Cruz
41. Desvãos - Susana Vernieri
42. Um pai de cinema - Antonio Skármeta
43. No inferno é sempre assim - Daniela Langer
44. Crônicas de Roberto Drummond.
45. Correio do tempo - Mario Benedetti
45. Gatos bravos morrem pelo chute - Tiago Ferrari
46. Gesso & Caliça - Alberto Daflon Filho e Fabio Daflon
47. A educação pela pedra - João de Cabral de Melo Neto
48. O fio da palavra - Bartolomeu Campos de Queirós
49. Meu amor - Beatriz Bracher
50. Os vinte e cinco poemas da triste alegria - Carlos Drummond de Andrade
51. A visita cruel do tempo - Jennifer Egan
52. Cemitério de pianos - José Luis Peixoto
53. O amante - Marguerite Duras
54. Bonsai - Alejandro Zambra
55. Diciodiário - Valesca de Assis
56. Não tenho culpa que a vida seja como ela é - Nelson Rodrigues
57. Lero-lero - Cacaso
58. O livro das ignorãças - Manoel de Barros
59. Livro sobre nada - Manoel de Barros
60. Retrato do artista quando coisa - Manoel de Barros
61. Ensaios fotográficos - Manoel de Barros
62. A queda - as memórias de um pai em 424 passos - Diogo Mainardi
63. Junco - Nuno Ramos
64. Os verbos auxiliares do coração - Peter Estérhazy
65. Monstros fora do armário - Flavio Torres
66. Viagem - Cecília Meireles
67. Cora Coralina - Seleção Darcy França Denófrio
68. Instante - Wislawa Szymborska
69. Dobras do tempo - Carmen Silvia Presotto
70. Eles eram muitos cavalos - Luiz Ruffato
71. Romanceiro da inconfidência - Cecília Meireles
72. De mim já nem se lembra - Luiz Ruffato
73. O perseguidor - Júlio Cortázar
74. Paráguas verdes - Luiz Ruffato
75. Todas as palavras poesia reunida - Manuel António Pina
76. Vidas secas - Graciliano Ramos
77. Inferno Provisório Volume II O mundo inimigo - Luiz Ruffato
78. O ano em que Fidel foi excomungado - José de Assis Freitas Filho
79. Boneca russa em casa de silêncios - Daniela Delias
80. As cidades e as musas - Manuel Bandeira
81. Billie Holiday e a biografia de uma canção Strange Fruit - David Margolick
82. Inferno Provisório Volume III Vista parcial da noite - Luiz Ruffato
83. Inferno Provisório Volume V - Domingos sem Deus
84. Inferno Provisório Volume IV - O Livro das impossibilidades - Luiz Ruffato
85. Pedro Páramo - Juan Rulfo
86. Zazie no metrô - Raymond Queneau
87. Fora do lugar - Rodrigo Rosp
88. Salvador abaixo de zero - Herculano Neto
89. Inferno Provisório Volume I - Mamma, son tanto felice - Luiz Ruffato
90. A virgem que não conhecia Picasso - Rodrigo Rosp
91. Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
92. Tempo dividido - Sophia de Mello Breyer Andersen
93. A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade
Leituras a partir de 1 de janeiro de 2011
1.Desgracida - Dalton Trevisan
2.Diário de um banana - Jeff Kinney
3. Poemas escolhidos, seleção de Vilma Arêas - Sophia de Mello Breyner Andresen
4. Oportunidade para um pequeno desespero - Franz Kafka
5. Venenos de Deus, remédios do Diabo - Mia Couto
6. Ventos do Apocalipse - Paulina Chiziane
7. Para gostar de ler - Contos Africanos
8. Vinte e zinco - Mia Couto
9. O Vendedor de passados - José Eduardo Agualusa
10. O Fazedor - Jorge Luís Borges
11. Terra Sonâmbula - Mia Couto
12. Barroco Tropical - José Eduardo Agualusa
13. Quem de nós - Mario Benedetti
14. O último voo do flamingo - Mia Couto
15. A carta de Pero Vaz de Caminha: o descobrimento do Brasil - Silvio Castro
16. Na berma de nenhuma estrada e outros contos - Mia Couto
17.O reino deste mundo - Alejo Carpentier
18. Como veias finas na terra - Paula Tavares
19. Baía dos Tigres - Pedro Rosa Mendes
20. O português que nos pariu - Angela Dutra de Menezes
21. Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez
22. Vermelho amargo - Bartolomeu Campos de Queirós
23. Meu tipo de garota - Buddhadeva Bose
24. Tradutor de Chuvas - Mia Couto
25. O livro das perguntas - Pablo Neruda
26. O fio das missangas - Mia Couto
27. Luka e o fogo da vida - Salman Rushdie
28. Pawana - J.M.G. Le Clézio
29. O africano - J.M.G. Le Clézio
30. O pescador de almas - Flamarion Silva
31. Um erro emocional - Cristovão Tezza
32. O amor, as mulheres e a vida - Mario Benedetti
33. A cidade e a infância - José Luandino Vieira
34. História do olho - Georges Bataille
35. Destino de bai- antologia de poesia inédita caboverdiana
36. O tigre de veludo- E. E. Cummings
37. Poesia Soviética - Seleção, tradução e notas de Lauro Machado Coelho
38. A cicatriz do ar - Jorge Fallorca
39. Refrão da fome - J.M.G. Le Clézio
40. As avós - Doris Lessing
41. Vozes Anoitecidas - Mia Couto
42. O livro dos guerrilheiros - José Luandino Vieira
43. Trabalhar cansa - Cesare Pavese
44. No teu deserto - Miguel Sousa Tavares
45. Uma canção para Renata Maria - Ediney Santana
46. Sete sonetos e um quarto - Manuel Alegre
47. Trópico de Capricórnio - Henry Miller
48. Sinais do Mar - Ana Maria Machado
49. Carta a D. - Andre Gorz
50. E se o Obama fosse africano? E outras interinvenções - Mia Couto
51. De A a X - John Berger
52. Diz-me a verdade acerca do amor - W.H. Auden
53. Poemas malditos, gozosos e devotos - Hilda Hilst
54. Outro tempo - W.H. Auden
55. nem sempre a lápis - Jorge Fallorca
56. Elvis&Madona - Luiz Biajoni
57. Budapeste - Chico Buarque
58. José - Rubem Fonseca
59. Axilas e outras histórias indecorosas - Rubem Fonseca
60. Instruções para salvar o mundo - Rosa Montero
61. A chuva de Maria - Martha Galrão
62. Rimas da vida e da morte - Amós Oz
63. Aqui nos encontramos - John Berger
64. Pensatempos textos de opinião - Mia Couto
65. Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
66. Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke
67. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristovão Rilke - Rainer Maria Rilke
68. Adultérios - Woody Allen
69. Quem me dera ser onda - Manuel Rui
70. Satolep - Vítor Ramil
71. Homem Comum - Philip Roth
72. O animal agonizante - Philip Roth
73. Paisagem com dromedário - Carola Saavedra
74. Não te deixarei morrer, David Crockett - Miguel Sousa Tavares
75. Orelhas de Aluguel - Deonísio da Silva
90. Uma mulher -Péter Esterházy
2.Diário de um banana - Jeff Kinney
3. Poemas escolhidos, seleção de Vilma Arêas - Sophia de Mello Breyner Andresen
4. Oportunidade para um pequeno desespero - Franz Kafka
5. Venenos de Deus, remédios do Diabo - Mia Couto
6. Ventos do Apocalipse - Paulina Chiziane
7. Para gostar de ler - Contos Africanos
8. Vinte e zinco - Mia Couto
9. O Vendedor de passados - José Eduardo Agualusa
10. O Fazedor - Jorge Luís Borges
11. Terra Sonâmbula - Mia Couto
12. Barroco Tropical - José Eduardo Agualusa
13. Quem de nós - Mario Benedetti
14. O último voo do flamingo - Mia Couto
15. A carta de Pero Vaz de Caminha: o descobrimento do Brasil - Silvio Castro
16. Na berma de nenhuma estrada e outros contos - Mia Couto
17.O reino deste mundo - Alejo Carpentier
18. Como veias finas na terra - Paula Tavares
19. Baía dos Tigres - Pedro Rosa Mendes
20. O português que nos pariu - Angela Dutra de Menezes
21. Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez
22. Vermelho amargo - Bartolomeu Campos de Queirós
23. Meu tipo de garota - Buddhadeva Bose
24. Tradutor de Chuvas - Mia Couto
25. O livro das perguntas - Pablo Neruda
26. O fio das missangas - Mia Couto
27. Luka e o fogo da vida - Salman Rushdie
28. Pawana - J.M.G. Le Clézio
29. O africano - J.M.G. Le Clézio
30. O pescador de almas - Flamarion Silva
31. Um erro emocional - Cristovão Tezza
32. O amor, as mulheres e a vida - Mario Benedetti
33. A cidade e a infância - José Luandino Vieira
34. História do olho - Georges Bataille
35. Destino de bai- antologia de poesia inédita caboverdiana
36. O tigre de veludo- E. E. Cummings
37. Poesia Soviética - Seleção, tradução e notas de Lauro Machado Coelho
38. A cicatriz do ar - Jorge Fallorca
39. Refrão da fome - J.M.G. Le Clézio
40. As avós - Doris Lessing
41. Vozes Anoitecidas - Mia Couto
42. O livro dos guerrilheiros - José Luandino Vieira
43. Trabalhar cansa - Cesare Pavese
44. No teu deserto - Miguel Sousa Tavares
45. Uma canção para Renata Maria - Ediney Santana
46. Sete sonetos e um quarto - Manuel Alegre
47. Trópico de Capricórnio - Henry Miller
48. Sinais do Mar - Ana Maria Machado
49. Carta a D. - Andre Gorz
50. E se o Obama fosse africano? E outras interinvenções - Mia Couto
51. De A a X - John Berger
52. Diz-me a verdade acerca do amor - W.H. Auden
53. Poemas malditos, gozosos e devotos - Hilda Hilst
54. Outro tempo - W.H. Auden
55. nem sempre a lápis - Jorge Fallorca
56. Elvis&Madona - Luiz Biajoni
57. Budapeste - Chico Buarque
58. José - Rubem Fonseca
59. Axilas e outras histórias indecorosas - Rubem Fonseca
60. Instruções para salvar o mundo - Rosa Montero
61. A chuva de Maria - Martha Galrão
62. Rimas da vida e da morte - Amós Oz
63. Aqui nos encontramos - John Berger
64. Pensatempos textos de opinião - Mia Couto
65. Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
66. Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke
67. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristovão Rilke - Rainer Maria Rilke
68. Adultérios - Woody Allen
69. Quem me dera ser onda - Manuel Rui
70. Satolep - Vítor Ramil
71. Homem Comum - Philip Roth
72. O animal agonizante - Philip Roth
73. Paisagem com dromedário - Carola Saavedra
74. Não te deixarei morrer, David Crockett - Miguel Sousa Tavares
75. Orelhas de Aluguel - Deonísio da Silva
76. Travessia de verão - Truman Capote
77. Avante, soldados: para trás - Deonísio da Silva
78. Antes das primeiras estórias - João Guimarães Rosa
79. O outro pé da sereia - Mia Couto
80. O cemitério de Praga - Umberto Eco
81. A mulher silenciosa - Deonísio da Siva
82. Livrai-me das tentações - Deonísio da Silva
83. A mesa dos inocentes - Deonísio da Silva
84. Hilda Furacão - Roberto Drummond
85. A estética do frio - Vitor Ramil
86. Poetas de França - Guilherme de Almeida
87. Tarde com anões 7 minicontistas - Carlos Barbosa, Elieser césar, Igor Rossoni, Lidiane Nunes, Mayrant Gallo, Rafael Rodrigues e Thiago Lins.
88. Pensageiro Frequente - Mia Couto.
89. A palavra ausente - Marcelo Moutinho90. Uma mulher -Péter Esterházy
91. Cartas de amor - Fernando Pessoa
92. A última entrevista de José Saramago - José Rodrigues dos Santos
93. A morte de D.J. em Paris - Roberto Drummond
94. Do desejo - Hilda Hilst
95. Cenas indecorosas - Deonísio da Silva
Leituras a partir de 19 de Julho de 2010
1. La Hermandad de la uva - John Fante
2. Nem mesmo os passarinhos tristes - Mayrant Gallo
3. Um mau começo - Lemony Snicket
4. Recordações de andar exausto - Mayrant Gallo
5. Ladrões de cadáveres - Patrícia Melo
6. O mar que a noite esconde - Aramis Ribeiro Costa
7. Há prendisajens com o xão - Ondjaki
8. E se amanhã o medo - Ondjaki
9. O último leitor - Ricardo Piglia
10. Par e ímpar - Tatiana Druck
11. Paris França - Gertrude Stein
12. Quirelas e cintilações - Luiz Coronel
13. AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki
14. Luaanda - José Luandino Vieira
15. Poemas para Antonio - Ângela Vilma
16. Estranhamentos - Mônica Menezes
17. A vida é sonho - Calderón
18. A varanda do Frangipani - Mia Couto
19. Um copo de cólera - Raduan Nassar
20. Antes de nascer o mundo - Mia Couto
21.Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
22- Poemas da ciência de voar e da engenharia de ser - Eduardo White
23. Manual para amantes desesperados - Paula Tavares
24. Materiais para confecção de um espanador de tristezas - Ondjaki
25. Milagrário Pessoal - José Eduardo Agualusa
26. Felicidade e outros contos - Katherine Mansfield
27. Estórias abensonhadas - Mia Couto
28. Fábulas delicadas - Eliana Mara Chiossi
29. O Ulisses no Supermercado - José de Assis Freitas Filho
30. Cartas Exemplares - Gustave Flaubert
31. A Moça do pai - Vera Cardoni
32. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - Mia Couto
33. Dentro de mim faz sul seguido de Acto Sanguíneo - Ondjaki
34. Bonequinha de Luxo - Truman Capote
35. 125 Poemas - Joaquim Pessoa.
2. Nem mesmo os passarinhos tristes - Mayrant Gallo
3. Um mau começo - Lemony Snicket
4. Recordações de andar exausto - Mayrant Gallo
5. Ladrões de cadáveres - Patrícia Melo
6. O mar que a noite esconde - Aramis Ribeiro Costa
7. Há prendisajens com o xão - Ondjaki
8. E se amanhã o medo - Ondjaki
9. O último leitor - Ricardo Piglia
10. Par e ímpar - Tatiana Druck
11. Paris França - Gertrude Stein
12. Quirelas e cintilações - Luiz Coronel
13. AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki
14. Luaanda - José Luandino Vieira
15. Poemas para Antonio - Ângela Vilma
16. Estranhamentos - Mônica Menezes
17. A vida é sonho - Calderón
18. A varanda do Frangipani - Mia Couto
19. Um copo de cólera - Raduan Nassar
20. Antes de nascer o mundo - Mia Couto
21.Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
22- Poemas da ciência de voar e da engenharia de ser - Eduardo White
23. Manual para amantes desesperados - Paula Tavares
24. Materiais para confecção de um espanador de tristezas - Ondjaki
25. Milagrário Pessoal - José Eduardo Agualusa
26. Felicidade e outros contos - Katherine Mansfield
27. Estórias abensonhadas - Mia Couto
28. Fábulas delicadas - Eliana Mara Chiossi
29. O Ulisses no Supermercado - José de Assis Freitas Filho
30. Cartas Exemplares - Gustave Flaubert
31. A Moça do pai - Vera Cardoni
32. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - Mia Couto
33. Dentro de mim faz sul seguido de Acto Sanguíneo - Ondjaki
34. Bonequinha de Luxo - Truman Capote
35. 125 Poemas - Joaquim Pessoa.








