domingo, 13 de junho de 2010

Minha querida amiga e sister Nela


Sister, I miss you.
Nela Escribano

Excessos

O inútil calor da chama não a afasta do inverno costumeiro que lambe, indecoroso, o vidro fino da  janela sem persianas ou cortinas. O calor da chama desmancha-se em pingos e brasas sem preocupar-se com os limites seguros da lareira escurecida pelo excesso de fogo. O fogo ancestral, que passa de mão em mão e que segue secreto, jamais abandona o estado de submissão, de receptor de qualquer gota sacana de água encanada ou do céu. Ou do inferno, de um último círculo derretido por palavras de aço, de uma agulha que penetra, fura e rasga a costura de séculos feito a do tear de uma Penélope cega pelas odisseias de prazer do mundo dos machos, dos muitos Ulisses sem guerras, mas com as mãos sempre afiadas por ácidas tesouras.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O triunfo das porcas

Porque uma porca solitária não destrói uma pérola. Mas muitas porcas  fazem de sua união um triunfo do mal cheiro sobre o colar de ar puro. Porque uma porca solitária pode parecer um equívoco. Mas muitas porcas unidas sob o mesmo ritmo, derrubam as ostras como se de dómino fossem. Porque uma porca solitária quer ouvir Ave Porca quando nada ouve porque, além de porca,  é invejosa e, há muito tempo, encontra-se tão surda quanto estúpida.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Canceriana

De Sophia de Mello Breyner Andresen:
Signo

Meu signo é o da morte porém trago
Uma balança interior uma aliança
Da solidão com as coisas exteriores

terça-feira, 8 de junho de 2010

Do blog Branco Sujo

"Um bom jornalista deveria ser capaz de descrever o fabrico de um lápis de modo apaixonante e sem contar uma piada. Mas, se ele tivesse esse talento, bem lá no fundo, porque razão seria jornalista?"

Branco Sujo

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mosca Viva na casa do bípede irmão

Na casa do bípede carioca tem remo de índio wai wai, tem tapete de couro de vaca louca e psicodélica, tem tabuleiro de xadrez, tem guerreiro de pau preto, tem namorada no chão e na prateleira, uma gorda e outra magra, tem cor, tem livros, tem alegria e tem, de verdade, um  bípede irmão.

Mosca morta

O olho direito juntou-se à turma da esquerda do corpo um pouco em desequilíbrio. Rebelde com causa alinhou-se a um ponto negro e agora o exibe sobre todas as telas de cima a baixo, de lá para cá, de qualquer jeito. A dona do olho direito foi ver no google de que se trata. Dizia uma moça à outra, leia-se de boa família, que por aqui moça não roda a bolsinha, que um ponto escuro diante do olho só podia tratar-se de toxoplasmose, principalmente, se a dona do olho rebelde cultivar uma barriga de criança, o que não é o caso. Não leia de cerveja, o que também não é o caso. Que há quem confuda as coisas e fale as coisas assim de sopetão como podem nascer depois alguns bebês. Mas voltando ao olho direito, novo filiado ao partido de esquerda, liderado pela perna esquerda, aquela perna, a trombótica, consequência do pé quebrado a ferro sem fogo, avisava também o google, com seus dois olhinhos entre letras, que o tal ponto nada mais é que uma mosca volante,  que, às vezes, cai nos olhos e não na sopa.

Bolas de gude

A tela em branco não aceita cores. As caixas de som emudeceram e não ouvem  palavras. Passam, as ideias, sobre um céu de azul horizontal  e livre de nuvens.  Confusas, movem-se  feito as folhas de outono que finalmente cobrem as calçadas. Há um tapete ambivalente de natureza morta e viva asfixiando o asfalto cansado de tantos tropeços e  de olhos de bolas de gude.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Porque gente é outra alegria

Insolação

Às vezes,  deseja ir morar no avesso de uma cidade intacta e sem regresso; ir de trem em uma linha quase reta, feito um corte sobre os remendos dos tecidos endurecidos, um rasgo sobre os nós do tear acidentado de enganos, do sol antigo transformado em tule, e depois em renda  e em pano,  até conseguir costurar no corpo uma lona àspera e resistente a mãos e a mentiras coloridas por estrelas desumanas.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Oh, my bípede!

Meu pequeno bípede está de volta. Arrendou a fazendinha feliz para uma turma de heróis e de Simpsons.  Como mudança exige mudança, trocou também o nome. De mistérios da Fazenda, passou a ser
Oh, my Blog, sugestão que ele tinha enviado  na época em que um nome estava sendo escolhido para o Mínimo Ajuste. Como eu sou uma bípede mãe coruja e zonguinha, aviso ao passaredo: voem  lá!

sábado, 29 de maio de 2010

Dum Amor Morto

De Sophia de Mello Andresen

Dum amor morto fica
Um pesado tempo quotidiano
Onde os gestos se esbarram
Ao longo do ano

Dum amor morto não fica
Nenhuma memória
O passo se rende
O presente o devora
E os navios do tempo
Agudos e lentos
O levam embora


Pois um amor morto não deixa
Em nós o seu retrato
Da infinita demora
É apenas um facto
Que a eternidade ignora

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dobrou na esquina errada, ignorou a sinalização e acabou em um posto sem gasolina. Não estava de carro. Preferiu ir a pé. Passo por passo, foi alisando o chão e jogando beijos para o vento, não ao vento. De vez em quando, uma poeira límpida aparecia em ondas e a convidava para brincar de mar. Ela aceitava e sorria. Sorria água e encantamento e em profunda paz.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Geografia

O espaço de terra não cabe em sua parca geografia. Desprendido da ilha, desconhece as margens de um outro continente. Não navega porque terra; tampouco afunda porque terra. Feito corda sobre um poço, resgata a água morna que dispensa o balde. Por conta do zelo que ronda,  não arde a natureza em chamas, e transforma-se em  puro ar dentro de um jarro de cerâmica.

Porque sou uma criatura de quarto

Porque sou uma criatura de quarto, porque não há lugar em qualquer casa que eu entenda como minha que me abrigue como ele, um pouco de Sophia de Mello Breyner Andresen:

No Quarto
No quarto roemos o sabor da fome
A nossa imaginação divaga entre as paredes brancas
Abertas como grandes páginas lisas.
O nosso pensamento erra sem descanso pelos mapas
A nossa vida é como um vestido que não cresceu
conosco

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Bipedices

Então, tá. Para desanuviar o mal-estar, a criatura escolheu um esmalte vermelho. Pintou um dedo e credo, que coisa mais feia!  Aí, voltou para o renda, um tipo de bege, e bege é bege. Depois, folheou a Vogue estacionada no revisteiro. Não se interessou por nada, exceto por uma cozinha e de revista, ora bolas. Uma cozinha feita de panelas. Se não tem panelas, não tem mestre cuca, talvez, um desmiolado  de nome Remy e um bando de ratos sem nome à espera de um rango qualquer, não um Rambo qualquer. A criatura viu o Rambo, em Roma,  a comer um hamburguer. Muito melhor do que ver o rato roído de raiva roendo a roupa do rei. O Rambo deu um sorriso. Ela chamou o bípede marido filmador e falou: ei, dá um close no sorriso do Stallone, que ele está rindo e é para mim. O marido bípede fingiu não ouvir. Seguiu em frente e calado, roído de raiva e de ciúmes, roendo uma unha. Oh, vida! 

All of me

domingo, 23 de maio de 2010

Fêmea

Na cabeça, o nó sufoca o resto do corpo e bate no cérebro feito um martelo sobre a carne de um bife. O bife fêmea, de tumor ainda que benigno na mama esquerda, e que, assim como as pernas e as ideias, não liberta a presa e a mantém sob custódia, exigindo, outra vez, da junta médica, as eventuais certidões de que há vida em Marta, em Marte e antes da morte.
Quando ele menos esperava, ela se ofereceu. Assim, puf, do  nada. Aproveitou  o pouco de álcool no corpo e deu a acelerada óbvia de quem quer por um amigo a perder

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Romance ideal


De um lado, a voz de um rato falante divagando sobre a música e o queijo prometidos. De outro, a boca faminta de rata, mergulhada desde o nascimento em um balde de corações gordos e vermelhos, à procura de um príncipe proprietário, que tranforme, logo, o seu eu, criaturinha de saias e laços sobre as orelhas, em uma cabeça tão cor-de-rosa quanto de vento.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vontade

A garota quase não tinha seios, magra e de baixa estatura, de longe, parecia uma criança. Uma criança de salto alto e rebolado brejeiro, isso sem falar na cabeleira lisa de indía albina  enrolada sob um céu estrelado, um céu acordado feito a sua vontade de trocar o trabalho noturno por uma casa com porta e um pouco de alma lavada, mas a garota  era magra e de baixa estatura, de longe, parecia uma criança, e  ainda por cima quase não tinha seios.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Falou: pode crer. Vai dar. Entrou, saiu, saiu de fininho, não cuspiu, não cospe. Acha feio, mal-educado. Mas limpa o salão e faz sem malícia, faz por preguiça. Eta preguiça. Debaixo do tapete e do colchão guarda qualquer coisa menos a grana e a gana que tem ao cortar a grama, miolo e moeda de uma existência pouco colorida.

E se deus não dá como é que vai ficar?

Essas coisas que diz toda mulher

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Porque ando muito Vani

E não seria um Caravaggio?


         De personalidade barroca, a criatura descansa sobre a escuridão. Mistura-se, discreta, com o pincel e com a luz de sua carne bípede de rua, carne de natureza viva e dramática, colada  à superfície rasa de alguns dias vazios.

domingo, 16 de maio de 2010

Cabeça dura

Cabeça dura funciona assim: a criatura nada até a praia mesmo que o desejo seja estar no topo de um arranha-ceú. Não abre mão do projeto enquanto não o realiza, e pouco importa o resultado. Cabeça dura gosta mesmo é do processo, da viagem. Sendo dura, funciona como nave de um único passageiro. Não cabem dois, muito menos um oitavo. Por outro lado, as vagas para a organização de sua parafernália apresentam-se infinitas. Feito o desodorante vagaba de  uma antiga publicidade, sempre arruma espaço para mais um devaneio com começo, meio e fim. O fim de uma chateação ou de uma alegria, porque cabeça dura transita com facilidade por muitas estradas, com ou sem sinalização, asfaltadas ou de chão batido. Cabeça dura bate contra a parede e não se arrebenta, ainda que quase amoleça diante da arrebentação colorida de algum livro impresso por mãos  de escrita alucinante.

Vertente

De repente, dá-se conta de que, em meio as palavras preciosas, derrama-se a raiva, de décadas, escondida. Gestada feito o rei dos elefantes de boa memória, vai a criatura tomando conta da mente e dos dedos, sequestrando o cerébro em troca de nada,  por um mero capricho. Capricho de a quem não cabe exigir mais do que oferece em imprevistos rompantes, com sorte, benignos,  do mal-estar que incorpora-se a sua formação capenga e pesada de ser resistente, embora sensível. Mal-estar extravagante que tanto captura quanto acelera o incansável zelo para não ter nem o afeto e nem a coragem, de algum modo, abatidos.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ciscos

O branco do monitor segue indiferente à inquietação dos dedos. E ela pouco se esforça para compensar a ausência de palavras dos últimos dias. Seu par de olhos escuros anda seco, sem vista para o mar. Intolerante, rejeita o carinho dos óculos e embaça-lhes as lentes. Não há camaradagem. Há uma leve relação plástica conduzindo o embrulho que traz o presente. A caixa não está mais lacrada. Desapareceram as inscrições de frágil na mesma proporção em que romperam-se os buracos por onde antes entrava ar. Agora ventam  bolhas, ciscos e pensamentos tumultuados de raiva, dor e apodrecimentos.

terça-feira, 11 de maio de 2010

No meio do caminho

No meio do caminho estava a Euro, ali, entre Rodin, Napoleão e  Maria Antonieta sem cabeça, exibindo um papai Walt Disney de braços abertos sobre a França, um pai para os despapados, e pouco importa se existe ou não esta palavra, filhos do papai Karamazov. A criatura sendo do interior do interior,  parricida e tonta, entre outros adjetivos, sentiu-se atraída. Nada como um par de orelhas de rato para aquietar o par de orelhas de jumento, herança de família, presente atávico e popular em meio aos  raros exemplares de seu sangue. Então, pegou o trem, pagou a entrada e deixou-se levar pela esteira até o castelo encantado de uma princesa blonde, quase bond, candidata vencedora no desafio inimaginável de montar o dificílimo cubo mágico rosa. Algo impensável para sua essência rústica de visitante, pois, não fez-se semelhante à luz, fez-se apenas  sobrevivente da enchente, sem olhos azuis, comedora de bolachas Maria, magrela ainda que não desnutrida, candidata bola preta do grupo manda chuva, as Diabas Loucas, de sua polegar cidade natal, aceita, com sorte, a ser uma prima distante da  Pocahontas, mas esta é uma outra pobre nativa que, além de não ter azul nos olhos e nem no sangue, também não combina com a história e, por isso, fica para depois.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O segredo de seus ouvidos


Para o meu querido irmão, um grande companheiro de Argentina, con mucho amor y nostalgia, um segredo para os seus ouvidos.

domingo, 9 de maio de 2010

Não diga nada

Você dirá que não teve escolha. Todos dirão o mesmo. Ficarei com minha cara pálida sem vista para nada a olhar um quadro, fingindo e interpretando o papel humano, exibindo o leve sorriso esperado nos dias santos, os dias honrados pelos mandamentos prepotentes de injustiças e de dor, de honrar a torto e a direita os desenganos e os desafetos. E você seguirá protegida, vítima da má sorte ou da genética por demais falível da família egocêntrica, etnocêntrica e complexada por um soberbo manto de incoerências.

Bloqueio

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Lista

Não demore. O elevador mal espera. Arrume o cabelo depois. Não, o perfume, não. Esse dá enjoo. Cuidado com o capacho. Eu avisei. Não gire a chave duas vezes. A fechadura anda cansada. Lá embaixo, confira a lista de compras e a de compromissos. Pensando bem, mate os compromissos. Vá comprar comida. A geladeira está triste. O cachorro também. Providencie logo um osso e um senhor Wilson. Se for da mesma raça, melhor. Quanto mais parecido melhor. Quanto mais quente, mais quente e só. Quando passar perto do shopping, vá a loja de brinquedos. Não, não tem banco nem osso. Tem lego. É, e daí? Eu gosto de lego. Mas passe antes na praça de alimentação e tome um suco, qualquer suco para hidratar. O mais vendido é o de laranja. Dizem que melancia também agrada. Melancia não combina com leite. Juntos devem descambar em algum tom de rosa. Rosa não combina com azul. Você está tão Rosa. Rosa combina com verde ou marrom. E tem de ser na mesma proporção. Por quê? Coisa de encaixe. Sei lá! Vá você saber.

Vem dançar comigo

Essência

O convite foi feito. As janelas ficaram abertas. Entraram ar e neve. Durante horas, a casa aceitou o frio, e a lareira esforçou-se para manter o ninho de fogo aquecido. Cestas de lenha subiram do coração.  Xícaras de chá esvaziaram o ar. E nada, nem um único movimento fez com que ele desistisse de viver como um distante passarinho.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Datilografando II

Dobra a esquina, segue para casa, como sempre, a olhar as fachadas de outros lares, pensando como será lá dentro. Vai sem pressa. Discretamente, fica para trás das colegas. Embora seja falante feito uma catorrita, em silêncio, gosta de sentir o ar frio sobre a pele e sobre as ideias ainda inexperientes de menina. Quando consegue entrever, por uma porta ou por uma cortina aberta, a cor de uma parede ou de uma chaleira fervendo, a curiosidade cresce. Ela tem olhos de janela, indiscretos e também transparentes. Olhos falantes como todo o seu corpo magrelo, lavado em uma água que ela imagina doce e pura, de cidade pequena, semelhante à inocência de seu interior já desproporcional à fragilidade de sua aparência. 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Cercou-me feito
uma ilha
sem ancoradouro.

Datilografando

Está tarde, ela sabe. E, além de tarde, faz frio. Nada glacial. Mas os pés pedem por meias. Ela não gosta de usar meias. Prefere luvas, de lã, para não ter de dar tapas de pelica. O ideal seriam as de boxe, combinariam com o capuz do roupão que pega emprestado do marido sem ele saber. Mas com o roupão o jogo é rápido, usa só para sair do banho e chegar no armário em busca de um abrigo, apeluciado de preferência, macio e quente feito um bichinho de criança, feito um corpo que quase respira, como aqueles que tinha sobre a penteadeira de seu quarto de menina, caixinha de música perdida em uma grande casa gelada, aquecida à lenha, a livros e a uma pequena máquina de escrever.

sábado, 1 de maio de 2010

Frio

Mesmo fazendo frio, ele não sai da porta. Está lá, mãos nos bolso, à espera. Ela segue no trânsito. Vai devagar, ouvindo música, cantando com o carro uma canção antiga, como aquelas que cantava em seu tempo de menina, quando havia serenata sob a sua janela alta e rosas jogadas sobre o jardim desestruturado de pegadas jovens, de vozes risonhas e conflitadas de excessos e de ausências pressentidas. Ele conta um, dois, três, finge contar as moléculas de um clima invisível e indizível de memórias alquebradas sobre a lona da rotina sem escape de uma história escrita às avessas, em que o fim e o começo desaparecem sem dizer adeus. Ela acelera no semáforo para dobrar na próxima esquina. Confunde o amarelo com os raios de sol que brilharam na piscina do pequeno clube da pequena cidade com o calor que escapa do ar-condicionado que envolve suas mãos como uma luva, feito as mãos grandes, agora, acostumadas a bolsos de casacos e relutantes em aceitar o seu outro rumo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Morro e não vejo tudo

Ele tinha 39 anos e era mau. Ele nasceu na Austrália, mas isso é irrelevante ou não, sei lá. Ele morreu. Morreu de morte matada.  Parece que atropelado por uma bicicleta ergométrica dentro de uma prisão de segurança máxima.  Ele cumpria pena: 35 anos. Não é preciso nem dizer o porquê.  Ou precisa porque por assassinato perdeu um sofá no céu. Em compensação, por aqui, ganhou um caixão de ouro para  banquetear com os vermes os seus restos e a riqueza de sua pobre pessoa.

Transparentes

Na saída da garagem,  um caminhão mostrando os dentes da rotina. Mais um. Mais um dia. O carro saindo de ré, torto na garagem estreita, devagar para não arranhar outra vez a pintura e preservar o espelho. Na rua, o papeleiro de olhos claros à espera dos sacos de lixo, dos  olhos de lixo, dos humanos sem histórias de amor, verticais, gordos de vaidades e de pressas, carimbados com os mesmos dois, três, cem mil nomes iguais, nomes completos, empacotados e transparentes.
Não encontrou a escada para subir sobre a noite vertical. Ficou sentada no asfalto, pernas estiradas ao lado dos livros que caíram depois de bater sobre sua cabeça esvoaçante e invisível diante da quantidade extraodinária de espelhos da última vitrine vista, vitrine de produtos inacabados ainda sem preço e em busca de valor, analfabetos, ignorantes, sem conta própria,  sem poesia e sem aquela melodia que ouvia nas solares horas em que  flutuava  em boa solidão dentro de uma piscina.

Reta final

Então, está definido: dia 18 de julho, domingo à tarde, estarei lá, usando os neurônios que a natureza me deu na reta final. O edital saiu antes de ontem. Um alívio.  Menos de três meses e a maratona acabará, senão acontecer nova fraude, e, por consequência, nova anulação do concurso Uma parte razoável do edital anterior, puf, foi degolada feito uma Maria Antonieta over.  Em compensação, entraram algumas leis novas e mais uma chateação que ainda não sei como resolver, em que horário encaixar. Depois do dia incrível de ontem, passei o de hoje no melhor estilo encaixotando helena. Como estudo escrevendo, minha mão direita está dolorida. O calo do pai de todos exibe-se-se feito o monte Everest.  Cresceu. Esqueci de colocar os bandaids. Técnica aprendida com sangue, suor e dor na empreitada anterior pela vaga no tribunal.  Amanhã, coloco os remendos. A boa notícia é que,  independente do resultado, descobri o porquê de eu não estar aqui a passeio.  Vou me transformar com ou sem uma boa remuneração no que sou com ou sem um níquel sequer: artista. Agora, a imersão é grande nos livros, mas, depois, será a vez das tintas e dos lápis e das palavras porque vou desenhar, pintar e escrever muito, muito mais que os sete, sem lei, resolução ou emenda que eu gosto é de ser livre.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Bípede 10

Porque o pequeno bípede tem um sabor de pernas gordinhas que afinam enquanto crescem e ganham velocidade e músculos; porque o pequeno grande bípede tem um sorriso de afeto a contornar feito um lápis o coração derretido e maternal de uma bípede reconstruída pelo eterno perfume de seu talquinho de menino, de criança multiplicadora de alegrias e de dias coloridos, e porque, hoje, o agora grande bípede tem um par de olhos de astronauta que não teme mais os dias de viajar, aqui, vai a homenagem, sem ajustes, para a aquarela viva que ele aos 10 anos é. Feliz aniversário pequeno grande bípede! Mamãe bípede e papai bípede love you :)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Co-piloto

Amanhã, o pequeno bípede e eu vamos acordar e ir para o clube. O pequeno irá para a aula de tênis, e eu para a de dança. Vamos sair de casa no mesmo horário, usando o mesmo carro, percorrendo as mesmas ruas. Mas amanhã o dia não será como os outros. E a década será de fato nova. Porque amanhã será mais que sábado,  mais que feriado. Amanhã, o  pequeno bípede completa 10 anos às 10:38 da matina. Amanhã, ele passa para o banco da frente e assume o seu  posto de co-piloto e de acelerador de amor e de alegria dessa bípede mãe, sempre, por ele encantada.

sábado, 24 de abril de 2010

O cheiro do ralo

O cheiro do ralo foi parar embaixo da pia, aquela cheia de louça, com máquina de lavar tamanho mínimo acoplada ao lado de uma caixa de gordura, lixo diário do alimento sagrado da espécie voraz. O cheiro do ralo disputa espaço com jatos de um spray cheirando a talquinho. O cheiro é órfão de pai e mãe e história. Não é de ninguém.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Flutuações

A criatura subiu as escadas devagar e foi se esconder ali atrás da janelinha de vidro da porta da sala de dança. A criatura, bípede dançante, precisava ver com os olhos pretos que há terra não há de comer e o fogo  há de engolir, o que é que as outras gurias do grupo avançado têm. E a criatura viu criaturas alinhadas e sintonizadas balançando para lá e para cá sem um tropeço, bailando feito um Gene Kelly, nem tão graciosas quanto a Ginger Rogers, é verdade,  tampouco desengonçadas como um Et  go home, cumprindo a risca uma coreografia ardilosa e cansativa. E a criatura, então, pensou se teria alguma chance de acompanhar o ritmo e a técnica exigidas. Como a cabeça disse não, tratou logo de fechar os olhos para, em segundos,  ver-se flutuando feito a Cid Charisse que toda guria desajeita gostaria muito, muito, muitíssimo de ser. Que pena.

O último leitor

Frase de Ricardo Piglia : "Na clínica da arte de ler, nem sempre o que tem melhor visão lê melhor."
Texto no blog  Por que hoje é sábado da  mestra Léa Masina.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tema de casa do pequeno bípede

O pequeno está na quarta-série. Parte do tema de casa dele é este aqui embaixo.  Eu não sei as respostas. O enunciado é:  encontre os números que faltam para que o resultado fique correto. Se você acha fácil, faça.

   7 X 1 X
- X 5 X 9
 ________
   3 3 3 3

  X 8 7 X
- 4 X X 5
________
  5 5 5 5

  8 X X 0
- X 9 7 X
________
   4 4 4 4

Cor de capa de chuva

Da cor da capa de chuva segue o dia. A água desce a rua olhando para mim, para mim, para mim. Vem, venha chuva, penso com minhas botas de borracha, vem tentar alcançar os meus pés, as minhas pernas, os meus joelhos. E ela, então, dança em poças, deixa-se chutar pelos que passam apressados, respinga para lá e para cá enquanto a observo aos risos. Molha-se em milhões de gotas, suja-se de barro feito uma porquinha cor-de-rosa e nada, nada sem atingir o meu humor, sem desbotar a minha alegria e sem aguar essa sensação inesquecível e formidável que canta e dança aqui dentro de mim.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

No aeroporto

                                                            Boa viagem.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Para gostar de arte

                                       De Paulo Amaral

Tibicueras

Último quadro feito pela minha mãe, Ana Terra, chamado Tibicueras, porque quando nos escrevíamos nos tratávamos assim. O mais significativo  e também último presente que ela me deu em seu último dia das mães. Ela é a Tibi que está no alto à esquerda sem chapéu; as outras, sou eu. Nosso mundo Tibi começou com um cartão escrito em frente ao Partenon de Atenas.Dizia: "Tibicuera, esta parte de ti está emocionada por ter conhecido o berço de todos os Tibicueras, tão emocionada que não encontra palavras para descrever esta cidade, que alça voos maiores do que de um pássaro. O passado, aqui, é sempre presente, assim como o meu amor por ti. Tibicuera"
O nomeTibicueras vem do romance de Érico Veríssimo: As Aventuras de Tibicuera, um índio imortal em seus descendentes.

Para pensar sobre arte

De Joseph Beuys.

Momento


Na semana que vem, o Pequeno bípede faz 10 anos. Neste ano, não pediu presentes. Para não dizer que está mesmo crescido, aceita ganhar uns últimos bonecos, action figure, como ele diz agora que está estudando inglês a sério, da Liga da Justiça. Também não quer festa. Quer jogar  boliche. Como convidados, espera apenas pelos meninos. Quase trinta. Tive de dar uma podada  na lista inicial. Para ele, tudo bem. Ele está que não se aguenta de felicidade. Do banco de trás do carro, vai passar para o da frente, e isso é o que ele mais deseja neste momento feliz de vida.
Tu não me deixas derramar minhas lágrimas e ainda pedes para eu colorir as paredes pálidas da casa tão pouco habitada. Tu  reparas no rímel sobre as minhas pestanas, no vermelho fogo das minhas unhas e ignora o líquido denso que conservo na geladeira. Tu perguntas pelo flan de leite que não como enquanto não estiver estragado. Tu não gostas das cruzes que costuro elaboradas de brotoejas e lantejoulas. Tu caminhas olhando para meus saltos altos sem reparar nas merdas de cão que pisas com teus pés tão grandes quando tua cobiça.  Tu estás no lado de fora debaixo da escada e da chuva escorregadia das faltas e do rum e gim e vodka dos teus dias. Tu me mandas para o planeta dos macacos andar nua em pelo e a cavalo enquanto me fodes feito um cabrito sem pastor e de boa montanha. Tu te fodes e não por livre e voluntária escolha. Tu te fodes porque não carregas nem a própria  maleta.

sábado, 17 de abril de 2010

Patafisicando, um novo verbo

Descobri a Patafísica no blog do Lisarda Baila Cumba Como ando um pouco sem tempo, caminho devagar por ela. Não se trata de patos nem de pé de patos nem de Pato Donald.  Em linhas gerais, patafísico é aquele está interessado na obra do escritor francés Alfred Jarry,  com especial destaque ao livro Gestas e opiniões do Doutor Faustroll, patafísico. O romance, que ainda não consegui localizar um volume, foi  publicado em 1911, depois da morte de Jarry. Em um  capítulo deste livro, explicou-me o Lisarda, se postula a ideia de uma ciência -a patafísica- dedicada a estudar as exceções e não as regras, uma ciência do particular. E eu gosto das exceções, de ver o que há no incomum, do que pode passar quase esquecido. Em outro blog Olhando além da janela, capturei a imagem ali do lado. O texto enrolado feito linha em carretel é da autoria de Flávio Calazans diz: ""Depois da Lógica de Aristóteles, só a Pataphysica foi uma ciência criada por um homem só, Alfred Jarry, o pai de todas as vanguardas; matemático, literato, físico, desenhista, músico, dramaturgo e estudioso de heráldica, destrói a linguagem (merdra) e constrói a Pataphysica, ciência das soluções imaginárias, que estuda as leis da exceção (o epifenômeno dos efeitos colaterais singulares e a relatividade do convencional). Ciência do particular, regida pelo princípio da identidade dos contrários. O livre exercício pataphysico equivale a acreditar no que quiser, desde que sabendo que é o mesmo que não acrediar em nada, pois o tudo e o nada são equivalentes. Sem imaginação não se tem nem mesmo as perguntas, quanto mais as respostas. Jarry criou o calendário Pataphysico, com 13 meses de 28 dias, mais um mês imaginário. Hoje na França há um colégio de Pataphysica. O símbolo da Pataphysica é a espiral, o vórtex. Gerações de artistas foram influenciados pela Pataphysica, como Artaud, Picasso, Grouxo Marx, os Beatles etc... A panacéia universal Pataphysica é uma heurística.” Como dá para perceber a coisa é assim um pouco doida

Aleluia, irmãos!

A cidade acordou e estavam lá em cima, na cabeça e no peito,  frases como: quando os gatos saem, os ratos fazem a festa; reage Rio;  cadê a engenheira Patrícia?; e cadê Priscila Belfort?, frases de alusão a  crimes não solucionados.
Dizem as notícias que as pichações já foram apagadas, que estão sendo apagadas, serão apagadas. O cristo está a tomar um banho.
Diz o prefeito que os pichadores serão encontrados pelo crime de lesa pátria.
Dizem as notícias que é uma ofensa às autoridades cariocas.
Dizem que é uma ofensa ao povo brasileiro.
Não estou ofendida.
Deveria, mas não estou.
Ofende-me  infinitas vezes mais saber que o seu Ignácio e a dona Eva nunca mais vão abraçar o filho porque o descaso com  os seres vivos não é nem nunca foi  importante para essa gentil nação.
As imagens ainda estão pela Internet, correndo sites feito um pregador. Aleluia, irmãos!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Bye bye gripe

Ontem, fui fazer a vacina contra a gripe A. O local estava lotado, havia quase confusão. Eu não estava exatamente com medo. Um desconforto me aborrecia após ter ouvido alguns relatos de dor e de ter visto o tamanho da agulha. Não senti  nada. Menos que um beliscão. Meu braço também não está dolorido, nem o braço nem o corpo. Em compensação, espirro tanto e tão alto que, se tiver algum vírus rondando a rua, enganado, ele vai querer vir correndo construir sua casinha por aqui.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Audrey is back in black

Mestra Léa Masina


Palpita o peito agitado pela presença de minha querida mestra no mundo dos blogs. Palpitam os dedos sobre o teclado porque mesmo hoje não sendo sábado, o sábado já está aqui. Porque, ainda que sem a presença física, enquanto não me é possível um retorno, outra vez, sinto o calor e a vibração de Léa Masina. Vivaaaaaaaaas!!!!


Na foto: Professora Doutora em Literatura e crítica literária Léa Masina.

Leituras a partir de 1 de janeiro de 2012

1. Bilhete seco - Elisa Nazarian
2. Quando fui morto em Cuba - Roberto Drummond
3. O retrato de Oscar Wilde Fragmentos
4. Estrela miúda breve romance infinito - Fabio Daflon
5. Poemas - Wislawa Szymborska
6. Mar me quer - Mia Couto
7. Estive em Lisboa e lembrei de você - Luiz Ruffato
8. O pai invisível - Kledir Ramil
9. Poemas de Eugénio de Andrade - Seleção, estudo e notas de Arnaldo Saraiva
10. Os da minha rua - Ondjaki
11. A máquina de fazer espanhóis - Walter Hugo Mãe
12. Vigílias - Al Berto
13. Poemas concebidos sem pecado - Manoel de Barros
14. Face imóvel - Manoel de Barros
15. Poesias - Manoel de Barros
16. Compêndio para uso dos pássaros - Manoel de Barros
17. Gramática expositiva do chão - Manoel de Barros
18. Matéria de Poesia - Manoel de Barros
19. Arranjos para assobio - Manoel de Barros
20. Livro de pré-coisas - Manoel de Barros
21. O guardador de águas - Manoel de Barros
22. Concerto a céu aberto para solos de ave- Manoel de Barros
23. Quinta Avenida, 5 da manhã - S. Wasson
24. A literatura em perigo - Tzvean Todorov
25. O remorso de Baltazar Serapião- Walter Hugo Mãe
26. Lotte & Zweig - Deonísio da Silva
27. Indícios flutuantes (poemas) - Marina Tsvetáieva
28. A duração do dia - Adélia Prado
29. Rua do mundo - Eucanaã Ferraz
30. Destino poesia Antologia - organização Italo Moriconi. Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto e Waly Salomão
31. Tarde - Paulo Henriques Britto
32. Correnteza e escombros - Olavo Amaral
33. Nelson Rodrigues por ele mesmo
34. A última coisa que eu pretendo fazer na vida é morrer - Ciro Pellicano
35. O encontro marcado - Fernando Sabino
36. O óbvio ululante - Nelson Rodrigues
37. O grande mentecapto- Fernando Sabino
38. O homem despedaçado - Gustavo Melo Czekster
39. Dia de São Nunca à tarde - Roberto Drummond
40. O canto do vento nos ciprestes - Maria do Rosário Pedreira
41. Antes que os espelhos se tornem opacos - Juarez Guedes Cruz
41. Desvãos - Susana Vernieri
42. Um pai de cinema - Antonio Skármeta
43. No inferno é sempre assim - Daniela Langer
44. Crônicas de Roberto Drummond.
45. Correio do tempo - Mario Benedetti
45. Gatos bravos morrem pelo chute - Tiago Ferrari
46. Gesso & Caliça - Alberto Daflon Filho e Fabio Daflon
47. A educação pela pedra - João de Cabral de Melo Neto
48. O fio da palavra - Bartolomeu Campos de Queirós
49. Meu amor - Beatriz Bracher
50. Os vinte e cinco poemas da triste alegria - Carlos Drummond de Andrade
51. A visita cruel do tempo - Jennifer Egan
52. Cemitério de pianos - José Luis Peixoto
53. O amante - Marguerite Duras
54. Bonsai - Alejandro Zambra
55. Diciodiário - Valesca de Assis
56. Não tenho culpa que a vida seja como ela é - Nelson Rodrigues
57. Lero-lero - Cacaso
58. O livro das ignorãças - Manoel de Barros
59. Livro sobre nada - Manoel de Barros
60. Retrato do artista quando coisa - Manoel de Barros
61. Ensaios fotográficos - Manoel de Barros
62. A queda - as memórias de um pai em 424 passos - Diogo Mainardi
63. Junco - Nuno Ramos
64. Os verbos auxiliares do coração - Peter Estérhazy
65. Monstros fora do armário - Flavio Torres
66. Viagem - Cecília Meireles
67. Cora Coralina - Seleção Darcy França Denófrio
68. Instante - Wislawa Szymborska
69. Dobras do tempo - Carmen Silvia Presotto
70. Eles eram muitos cavalos - Luiz Ruffato
71. Romanceiro da inconfidência - Cecília Meireles
72. De mim já nem se lembra - Luiz Ruffato
73. O perseguidor - Júlio Cortázar
74. Paráguas verdes - Luiz Ruffato
75. Todas as palavras poesia reunida - Manuel António Pina
76. Vidas secas - Graciliano Ramos
77. Inferno Provisório Volume II O mundo inimigo - Luiz Ruffato
78. O ano em que Fidel foi excomungado - José de Assis Freitas Filho
79. Boneca russa em casa de silêncios - Daniela Delias
80. As cidades e as musas - Manuel Bandeira
81. Billie Holiday e a biografia de uma canção Strange Fruit - David Margolick
82. Inferno Provisório Volume III Vista parcial da noite - Luiz Ruffato
83. Inferno Provisório Volume V - Domingos sem Deus
84. Inferno Provisório Volume IV - O Livro das impossibilidades - Luiz Ruffato
85. Pedro Páramo - Juan Rulfo
86. Zazie no metrô - Raymond Queneau
87. Fora do lugar - Rodrigo Rosp
88. Salvador abaixo de zero - Herculano Neto
89. Inferno Provisório Volume I - Mamma, son tanto felice - Luiz Ruffato
90. A virgem que não conhecia Picasso - Rodrigo Rosp
91. Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
92. Tempo dividido - Sophia de Mello Breyer Andersen
93. A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade

Leituras a partir de 1 de janeiro de 2011

1.Desgracida - Dalton Trevisan
2.Diário de um banana - Jeff Kinney
3. Poemas escolhidos, seleção de Vilma Arêas - Sophia de Mello Breyner Andresen
4. Oportunidade para um pequeno desespero - Franz Kafka
5. Venenos de Deus, remédios do Diabo - Mia Couto
6. Ventos do Apocalipse - Paulina Chiziane
7. Para gostar de ler - Contos Africanos
8. Vinte e zinco - Mia Couto
9. O Vendedor de passados - José Eduardo Agualusa
10. O Fazedor - Jorge Luís Borges
11. Terra Sonâmbula - Mia Couto
12. Barroco Tropical - José Eduardo Agualusa
13. Quem de nós - Mario Benedetti
14. O último voo do flamingo - Mia Couto
15. A carta de Pero Vaz de Caminha: o descobrimento do Brasil - Silvio Castro
16. Na berma de nenhuma estrada e outros contos - Mia Couto
17.O reino deste mundo - Alejo Carpentier
18. Como veias finas na terra - Paula Tavares
19. Baía dos Tigres - Pedro Rosa Mendes
20. O português que nos pariu - Angela Dutra de Menezes
21. Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez
22. Vermelho amargo - Bartolomeu Campos de Queirós
23. Meu tipo de garota - Buddhadeva Bose
24. Tradutor de Chuvas - Mia Couto
25. O livro das perguntas - Pablo Neruda
26. O fio das missangas - Mia Couto
27. Luka e o fogo da vida - Salman Rushdie
28. Pawana - J.M.G. Le Clézio
29. O africano - J.M.G. Le Clézio
30. O pescador de almas - Flamarion Silva
31. Um erro emocional - Cristovão Tezza
32. O amor, as mulheres e a vida - Mario Benedetti
33. A cidade e a infância - José Luandino Vieira
34. História do olho - Georges Bataille
35. Destino de bai- antologia de poesia inédita caboverdiana
36. O tigre de veludo- E. E. Cummings
37. Poesia Soviética - Seleção, tradução e notas de Lauro Machado Coelho
38. A cicatriz do ar - Jorge Fallorca
39. Refrão da fome - J.M.G. Le Clézio
40. As avós - Doris Lessing
41. Vozes Anoitecidas - Mia Couto
42. O livro dos guerrilheiros - José Luandino Vieira
43. Trabalhar cansa - Cesare Pavese
44. No teu deserto - Miguel Sousa Tavares
45. Uma canção para Renata Maria - Ediney Santana
46. Sete sonetos e um quarto - Manuel Alegre
47. Trópico de Capricórnio - Henry Miller
48. Sinais do Mar - Ana Maria Machado
49. Carta a D. - Andre Gorz
50. E se o Obama fosse africano? E outras interinvenções - Mia Couto
51. De A a X - John Berger
52. Diz-me a verdade acerca do amor - W.H. Auden
53. Poemas malditos, gozosos e devotos - Hilda Hilst
54. Outro tempo - W.H. Auden
55. nem sempre a lápis - Jorge Fallorca
56. Elvis&Madona - Luiz Biajoni
57. Budapeste - Chico Buarque
58. José - Rubem Fonseca
59. Axilas e outras histórias indecorosas - Rubem Fonseca
60. Instruções para salvar o mundo - Rosa Montero
61. A chuva de Maria - Martha Galrão
62. Rimas da vida e da morte - Amós Oz
63. Aqui nos encontramos - John Berger
64. Pensatempos textos de opinião - Mia Couto
65. Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
66. Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke
67. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristovão Rilke - Rainer Maria Rilke
68. Adultérios - Woody Allen
69. Quem me dera ser onda - Manuel Rui
70. Satolep - Vítor Ramil
71. Homem Comum - Philip Roth
72. O animal agonizante - Philip Roth
73. Paisagem com dromedário - Carola Saavedra
74. Não te deixarei morrer, David Crockett - Miguel Sousa Tavares
75. Orelhas de Aluguel - Deonísio da Silva
76. Travessia de verão - Truman Capote
77. Avante, soldados: para trás - Deonísio da Silva
78. Antes das primeiras estórias - João Guimarães Rosa
79. O outro pé da sereia - Mia Couto
80. O cemitério de Praga - Umberto Eco
81. A mulher silenciosa - Deonísio da Siva
82. Livrai-me das tentações - Deonísio da Silva
83. A mesa dos inocentes - Deonísio da Silva
84. Hilda Furacão - Roberto Drummond
85. A estética do frio - Vitor Ramil
86. Poetas de França - Guilherme de Almeida
87. Tarde com anões 7 minicontistas - Carlos Barbosa, Elieser césar, Igor Rossoni, Lidiane Nunes, Mayrant Gallo, Rafael Rodrigues e Thiago Lins.
88. Pensageiro Frequente - Mia Couto.
89. A palavra ausente - Marcelo Moutinho
90. Uma mulher -Péter Esterházy
91. Cartas de amor - Fernando Pessoa
92. A última entrevista de José Saramago - José Rodrigues dos Santos
93. A morte de D.J. em Paris - Roberto Drummond
94. Do desejo - Hilda Hilst
95. Cenas indecorosas - Deonísio da Silva

Leituras a partir de 19 de Julho de 2010

1. La Hermandad de la uva - John Fante
2. Nem mesmo os passarinhos tristes - Mayrant Gallo
3. Um mau começo - Lemony Snicket
4. Recordações de andar exausto - Mayrant Gallo
5. Ladrões de cadáveres - Patrícia Melo
6. O mar que a noite esconde - Aramis Ribeiro Costa
7. Há prendisajens com o xão - Ondjaki
8. E se amanhã o medo - Ondjaki
9. O último leitor - Ricardo Piglia
10. Par e ímpar - Tatiana Druck
11. Paris França - Gertrude Stein
12. Quirelas e cintilações - Luiz Coronel
13. AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki
14. Luaanda - José Luandino Vieira
15. Poemas para Antonio - Ângela Vilma
16. Estranhamentos - Mônica Menezes
17. A vida é sonho - Calderón
18. A varanda do Frangipani - Mia Couto
19. Um copo de cólera - Raduan Nassar
20. Antes de nascer o mundo - Mia Couto
21.Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
22- Poemas da ciência de voar e da engenharia de ser - Eduardo White
23. Manual para amantes desesperados - Paula Tavares
24. Materiais para confecção de um espanador de tristezas - Ondjaki
25. Milagrário Pessoal - José Eduardo Agualusa
26. Felicidade e outros contos - Katherine Mansfield
27. Estórias abensonhadas - Mia Couto
28. Fábulas delicadas - Eliana Mara Chiossi
29. O Ulisses no Supermercado - José de Assis Freitas Filho
30. Cartas Exemplares - Gustave Flaubert
31. A Moça do pai - Vera Cardoni
32. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - Mia Couto
33. Dentro de mim faz sul seguido de Acto Sanguíneo - Ondjaki
34. Bonequinha de Luxo - Truman Capote
35. 125 Poemas - Joaquim Pessoa.

Mundo bípede


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