
" O moderno não é estilo da juventude, mas da velhice. Não é, pois, um início, mas uma concretização. "
" Nunca pude identificar-me com a minha situação, com a minha vida real - e, aqui, uma vez mais, podemos acrescentar um grande ponto de interrogação depois da palavra real, porquanto o fato de me considerar outro, logo, a minha imaginação, e também a minha criatividade, tudo isso era real, mais real do que o real, pois, afinal, igualmente criava uma realidade."
" Ela foi-se embora, e levou consigo a maior parte da minha vida, o tempo em que a minha obra se inaugurou e acabou, e esse em que, vivendo um casamento tão infeliz, nos amámos tanto. O nosso amor era como uma criança surda-muda que corre, rosto risonho e braços estendidos, mas rosto que se torce lentamente num soluço, porque ninguém a compreende, e porque não desencanta uma finalidade para a sua corrida. Apercebo-me, e esta certeza quase me dá vertigens, de que, num só instante, o passado pode, efetivamente, tornar-se o que lhe chamam: passado, receptáculo de velhas coisas, impressões, vozes e imagens que abandonaram por completo as fontes vivas da vida que lhes deu o ser e as manteve intactas durante um tempo. A minha história soltou-se de mim, de súbito, perco o equilíbrio, como alguém que se sente perdido, e, entre o passado e o futuro, desliza para fora do tempo."
No blog Não Leia, do escritor Mayrant Gallo, há um post para ajudar essa humilde bipedezinha em sua aventura húngara. O post é uma aula breve, porém intensa, sobre os incríveis escritores húngaros. Recomendo com muitas estrelinhas!!!