quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Bicho de dez dedos






Faz um bocado de anos que não tomo refrigerantes.
Também não fumo ou bebo. Um cálice de vinho nas minhas mãos é um cálice de suave eternidade.
E, talvez, meu corpo me agradeça por isso.
Não sei.
Meu corpo costuma ser ingrato e já pensou seriamente em me abandonar.
Precisei implorar: não me deixe.
A alma não nos abandona.
Não é ela quem faz as malas carregadas de adeus.
Faz um bocado de anos que desdobrei meu corpo em dois para que corresse por essa casa o sorriso de um menino.
Um dia, na época desse mesmo um bocado de anos, disseram-me que ele não iria sorrir.
E eu chorei.
E chorar seria o óbvio se fosse fácil, para mim, chorar.
Nunca foi, mesmo quando a fratura era no braço fininho ou quando a fratura era em algum lugar escondido da minha vida de menina que podia ir sozinha ao hospital trocar o gesso.
A mãe precisava descansar a beleza; o pai, o trabalho.
E o destino do leite  derramado sempre foi o de ser limpo.
Então, ainda levanto, nas noites de maior angústia, para pegar em panos e baldes e faxinar os rodapés, as portas, os meus lugares invisíveis.
Deixo tubo brilhando como se  em meus dedos houvesse uma luz divina.
Nos meus dedos há afeto, pensamentos, fraquezas e  forças.
E eu sou humana.
São meus dedos que me movem e me dão vida.
Não são meus pés nem minha voz.
Uma galo não deixa de ser um bípede falante.
São os meus dedos que constroem os meus desenhos, que buscam nos destroços do que despencou para dentro, as cores do meu mosaico.
São  os meus dedos que digitam as letras dos meu silêncios, dos meus medos e das minhas saudades.
São os meus dedos as minhas dores e o meu sossego.
São os meus dedos a  fé que cura as minhas lágrimas.

68 comentários:

  1. Meu corpo e alma vivem em (e)terno conflito, nunca saberei o vencedor.

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    1. Herculano, vi no Mínimo Ajuste que você está lançando um livro.
      Quero comprar um!
      O meu corpo também é dado a conflitos.
      E sofre muito quando minha alma sofre.
      É muito dependente dela, o coitadinho :)
      Eu cuido dele, explico que cada um tem de estar no seu lugar, mas ele não aceita.
      É doer o coração que ele dói também.
      beijoss

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  2. Me siento conmovido, no sé si es casualidad o qué, pero me conmueve. Mientras leía quizá usted me leía, y yo no pude evitar una lágrima atravesada en la garganta.
    Presiento su delicadeza, presiento la sensibilidad de sus manos, de sus dedos, presiento que en las líneas de su palma se conservan todas las texturas que ha recorrido, las suaves y las ásperas.
    Qué belleza, qué encanto.
    Beso su mano con devoción.

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    1. Darío,

      Nas linhas da minha palma, vejo mais que um M. Algumas pessoas não tem o M, sabia?
      E algumas tem longas linhas de vida e de amor.
      Outras de verbos e palavras.
      Outras, apenas linhas :)
      Fico feliz de te encontrar aqui!
      beijoss

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  3. Uma belíssima crônica, Lelena. Bela e verdadeira.

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  4. A cada crônica, nova descoberta, um livro que vai se abrindo e eu vou gostando cada vez mais de você. O Tuca disse que temos pontos em comum nas crônicas, eu os sinto, mas não sei dizer quais são. Só sei que posso lê-la integralmente.

    Beijos,

    Suzana Guimarães - Lily

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    1. Lily,

      O Tuca disse e ele está certo.
      Temos, sim!
      Quanto mais te leio, mais gosto de ti também :)
      beijoss

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  5. Tanta dor e tanta beleza: poesia. Bjs

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    1. M.

      Tenho uma vocação para melancolias...
      E, estranhamente, tenho também para alegrias! :)
      No fim das contas, fica tudo meio mesclado, mas me sinto com vida.
      beijoss

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  6. caraca Lelena, assim eu desmonto inteiro. te senti despetalando uma rosa de quereres, me tocou muito


    beijooos

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    1. Assis,

      Imaginei a cena rsrs
      Você se despetalando e, em vez de pedaços de homem, pedaços de poemas caindo :)
      Beijoss

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  7. Quanta criatividade e inspiração! Belíssimo texto!

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    1. Obrigada, Carlos :)

      A inspiração de vez em quando vai para o convento, mas depois pula as janelas e vem pra mim!

      beijoss

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  8. seus dedos são a luz divina.

    querida,
    leio a crônica e imagino cada uma das ações, me comove o pequeno braço e a ida ao hospital sem os pais, vejo o rodapé e as figuras todas das suas representações interiores. depois leio que a Lily ouviu do Tuca que vocês têm pontos em comum, eu sei quais são: as duas se entregam sem restrições ao fazer da escrita e dizem tudo, ficção ou realidade, como se fosse a mais profunda e definitiva verdade. as duas nos fazem crer no que escrevem!

    seus dedos tem sido o meu sossego, a medida que criam o que gosto de ler.

    um beijo bem grande.
    *tem razão, acaba que o post no face também tinha uma contagem de tempo..
    **também não fumo, não bebo e o vinho é para mim uma taça, tem 34 anos que não tomo refrigerante e nunca provei a Coca-cola... ou seja, temos um monte de coisas incomuns em comum! :)

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    1. Eleo, de um jeito ou de outro, os membros perdidos da nossa tribo se encontram.
      Os sinais de fumaça vão escapando dos micros, dos dedos, de cada palavra até virar uma nuvem maior que o mar e as terras que nos separam.
      Os seus dedos também tem sido o meu sossego.
      Sua ideias têm sido.
      Sua sensibilidade e até sua beleza me fazem muito bem.
      beijoss :)

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  9. Como admiro, Lelena, esta forma poética de manipular a palavra em suas crônicas.
    beijoss

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    1. José Carlos, e eu admiro tanto a sua escrita.
      Gosto demais do seu blog, dos seus poemas e da sua prosa. E gosto de você! Muito :)
      beijoss

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  10. A Eleonora Marino Duarte está fazendo doutorado de mim e está se saindo muito bem. Ela me disseca, diz de mim como se me conhecesse, creio que me conhece, sim...

    Vou levar o comentário dela para mim. Quero guardá-lo, falar dele, pensar nele.

    Beijos,

    Suzana Guimarães - Lily

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    1. Lily,

      A Eleo é tão perspicaz e sensível.
      É uma esfinge que nos decifra com tanta clareza.
      Vi no seu face essa crônica e os comentários.
      Fiquei muito feliz :)
      Obrigada!
      beijoss

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  11. são os dedos, as mãos o caminho para o encontro com algum toque de essência

    beijos linda

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    1. Luiza, para nós, que usamos os dedos também para dar cor as linhas, um toque de essência sempre tem de aparecer.

      beijoss :)

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  12. Os dedos, transmissores do pensamento, do que é intocável, escrevem, desenham, acariciam...Só podemos guardar o que ocupa espaço, o que podemos tocar, não o que habita o tempo. E o que tocamos é mortal. Como nós. Poderemos então dizer, como Eugénio de Andrade:
    "Aqui estão as mãos.
    São os mais belos sinais da terra.
    Os anjos nascem aqui."
    E noutro poema:
    "Amorosamente toco o que resta dos deuses."
    E ainda:
    "A cada gesto que faziam
    Um pássaro nascia dos seus dedos
    e deslumbrado penetrava nos espaços."

    Muito belo o que escreveu. Beijo.

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    1. Mário,

      Que surpresa boa encontrar Eugénio de Andrade aqui!
      Obrigada pelo poema e pela visita!

      beijoss

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  13. Poxa, que flechada.
    Que texto mais bonito...

    Bjo, bjo

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    1. Dani, que flechada é muito bom!
      Acertar no alvo faz bem ao arco rsrs

      Obrigada :)

      beijoss

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  14. Os dedos de alma, os dedos que pensam, os dedos que digitam a velha máquina de escrever; os dedos que tocam o corpo, os corpos, o piano, o clarinete, os dedos que seguram as ondas, os ventos, os climas, os delírios. Os dedos, são tantos os dedos, escudos de dedais, dedilhando as cordas, as madeiras, os metais e aquilo que não é concreto.

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    1. Maia
      meus dedos sentem a perda da velha máquina de escrever.
      meus dedos não acreditam que eu, tão organizada, a perdi.
      ou terei dado e esquecido de avisá-los?
      não sei.
      nada concreto me dá uma resposta.
      tenho dedos de carne e osso ligados ao mundo abstrato das palavras.
      beijoss

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  15. Os dedos, prolongamento duma vontade temperada em alquimias voluntárias e involuntárias...
    O resultado final é fascinante.

    Beijo :)

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    1. AC,

      Eu sou uma criatura de dedos, mas não sou cheia de dedos rsrs

      Beijoss :)

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  16. Bipe, teus dedos são de Midas.
    Tocas no sentimento e o traduz com palavras de ouro, que geram mais sentimentos que tocam.
    A mim, tocou fundo, fundo, este texto.
    Voltei, reli, chorei pra dentro, sorri. Tu és realmente incrível, e tens um "jeito de dizer" único. Nunca pare de dedilhar. Nunca.
    Beijo!

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    1. Tati,
      Vamos marcar o nosso café!
      E então sai bem nas fotos?
      Quero uma!
      Dedo de Midas tem você, menina talentosa, bem humorada e doce bonito de confeitaria :)
      beijoss

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  17. as tuas crónicas, a forma como te colocas nelas deixa-me comovida, sempre

    beijinho

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    1. Laura,

      Invento muito quando escrevo..
      Me invento também.
      E reinvento.
      E passeio pelas palavra, empresto um pouco de pele a elas por não saber fazer de outro jeito.
      Talvez, devesse aprender...
      Não sei.
      beijoss :)

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  18. Tão comovente e tão bem escrita essa tua crônica, Lê. Estou emocionada!E sem palavras.
    Mais trabalham tuas mãos, mais aumenta o teu
    talento!!!

    beijoss

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    1. Ci,
      Eu estava na praia. Fui passar o feriado e não tenho Internet lá. Só o iphone cada vez mais temperamental.
      Amanhã, hoje, segunda-feira, vou colocar os blogs e os emails em dia.
      Fico feliz que você tenha se comovido e que aprecie esses posts do bloguinho.
      Às vezes, fico meio de mal com a minha bipedice e não sinto vontade de escrever.
      Talvez, esse às vezes tenha a ver com esse ano 2012, ano doido dos Maias (o meu pequeno bípede jura que será o fim do mundo rsrs. Me perguntou e aí, mãe, guardou uma graninha pra gente pegar uma arca na China? Fez a pergunta por causa de um filme B que ele viu outro dia.
      E eu falei, com a grainha que eu guardei a gente pega uma orca inflável e olhe lá!! :)
      beijoss e até amanhã

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  19. Vc tem este dom nos dedos para crônica, uma crônica poética.

    Admiro teu trabalho.
    Indiquei vc para receber o prêmido Dardos. È um gesto decarinho e reconhecimento meu.

    Beijos e bom findi,

    Anna Amorim

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    1. Anna, estive na praia e lá não tenho Internet. Então, não pude responder os comentários.
      Obrigada pela indicação; é um doce gesto de carinho:)
      Boa semana!
      beijoss

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  20. O Bicho de dez (Marta) que afinal tem vinte, é Bípede, bem falante e acima de tudo pensante, ao contrário do galo que é cantante e que coitado, embora bípede, é bicho de oito e nem se dá conta disso.
    O pobre, com uma ínfima chispa quase intermitente debaixo da crista, ainda canta, e canta de galo!
    Porque chora então esta minha amiga com esse enorme clarão na cabecinha, por sinal bem linda, capaz de mover seus dedos desta forma e me obrigar, a mim, com a chama algo apagada e fumarenta, não por fumar, talvez por não me inibir de beber um qualquer refrigerante na ausência de uma boa taça de um melhor e volátil vinho, qual bicho de dez, a enredar esta espécie de comentário!
    Beijo,
    fmartaneves

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    1. senhor das pantufas voadoras, há quanto tempo o senhor não dava a honra da sua presença?
      muitos compromissos no além mar, é?
      estou com saudades...
      com saudades e chorona porque sim e isso ja é um bom motivo! :)
      keep in touch!
      beijoss muitoss!

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  21. Engraçado, assim se chamava um grande guitarrista do Recife, mas hoje ele enlouqueceu...

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    1. Fred, não sabia.
      Vou pesquisar.
      Minha curiosidade bípede ficou inquieta!
      beijoss

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  22. Escrita extremamente sensível. Para além do gênero, é acima de tudo poesia!

    Beijo.

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    1. Marcandoido, você que dá vida as minhas paredes, encontrando poesia em prosa, me deixa muito feliz :)
      beijoss

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  23. Sem palavras! Uma leitura simplesmente fantástica! Adorei! .)

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    1. R. Vieira,

      Welcome to my bloguinho. Amanhã, vou retribuir visitando o seu.
      Obrigada pelo sem palavras :)
      beijoss

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  24. Tocante aos extremos! Até beijei teus dedos sem perceber...

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  25. Você tem um viés totalmente inusitado pra falar das coisas, quaisquer que sejam elas. Nunca vi nomear gravidez como "desdobrei meu corpo em dois"...
    Lelena, continue usando esses seus dedos pra escrever coisas assim. Um beijo.

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    1. Marcelo, antes de me desdobrar, praticamente, me multipliquei!
      Engordei 20 quilos comendo saladas.
      Um belo dia sem entender porque ganhava tanto peso, perguntei a meu médico o que ele achava que estava a me acontecer, e ele disse: salada pode ser pasto, guria, e você pode ficar do tamanho de uma vacaquinha holandesa lá de Vacaria se continuar comendo 24 horas por dia rsrs
      Obrigada pelo comentário!

      beijoss :)

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  26. Que força e beleza, Lelena! A força e a beleza de quem olha e sente profundamente. Cada vez mais e mais fã de sua escrita. Parabéns...

    Beijos,

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    1. Tania, sumida, eu sabia que você ia fugir.
      Sabia!
      E sabia que ia voltar rsrsrs pros blogs que eu deixei porque aqui, aqui é seu lugar lalalá :)
      Então, bom retorno!
      Fico sempre muito feliz com a sua presença no bloguinho.
      Muito!
      beijoss

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    2. E eu sou boba de perder isso? :-) Demorei, mas cheguei, li e me sinto aprendendo te lendo. Sempre.
      Beijos,

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    3. Tania, também aprendo e me aprendo quando te leio.
      As afinidades e as descobertas no seu blog me surpreendem.
      Beijoss :)

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  27. Pois é, a vida corre assim, do jeito que correr.
    Tudo que fazemos - e que vc descreve tão bem - tem motivos. Mas o principal motivo é mesmo a vida.

    Beijo beijo.

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    1. Dade

      Andei a pensar bastante nos últimos meses nos porquês disso e daquilo e quase enlouqueci!
      Então, decidi continuar pensando só que com um mais espaço para o viver.

      beijoss :)

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  28. bicho de tantos sentimentos... como se compreender!?

    beijo,beijo, Lelena!!

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    1. Joelma, como?
      Vivo cheio de perguntas.
      Vivo em busca da resposta perdida!! rsrs

      beijoss

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  29. Desabafo aso dedos no poema!

    Lindo, Lelena!


    (ó que inté rimou!)

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    1. Parla, Carla que poema rima com Lelena ou Lelena com poema e também Iracema que rima com problema, que não casa com ninguém nem morre sozinha que aqui não tem quadrilha, talvez, tropa de choque ou de cavalos, eles eram muitos cavalos, e continuarão a ser se tiverem um pingo de juízo no lombo e nas crinas.
      Beijoss :)

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  30. Bicho cheio de dedos,,,sentimentos,,,pensamentos que voam longe,,,alma de tamanho infinito que deixa distante o olhar....beijos amiga e uma bela tarde pra ti.

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    1. Everson, bicho gente é bicho diferente de todos os outros, mais complicado, mais feliz, mais infeliz, mais e menos, com ou sem todos os dedos.

      beijos e boa semana pra você :)

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  31. "E o destino do leite derramado sempre foi o de ser limpo..."

    Ai Bí,

    Essa tragada desceu quadrada. Comoveu aqui... e nada dos dedos darem conta de falar direito.

    Um beijo.

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    1. Carolina,

      A gente não tem escolha.
      O leite se derrama, molha os pés, coagula, gruda, machuca.
      Ou a gente limpa ou a gente não aguenta.

      beijoss :)

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  32. mesmo quando perdemos uma unha (sem sangue, roxa)os dedos parecem imbatíveis
    e únicos a nos explicar a perda
    ...


    beijo carinhoso,Lelena.

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    1. Os dedos são a ponta do iceberg e o iceberg, são caudas de lagartixa rsrs


      beijoss

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Leituras a partir de 1 de janeiro de 2012

1. Bilhete seco - Elisa Nazarian
2. Quando fui morto em Cuba - Roberto Drummond
3. O retrato de Oscar Wilde Fragmentos
4. Estrela miúda breve romance infinito - Fabio Daflon
5. Poemas - Wislawa Szymborska
6. Mar me quer - Mia Couto
7. Estive em Lisboa e lembrei de você - Luiz Ruffato
8. O pai invisível - Kledir Ramil
9. Poemas de Eugénio de Andrade - Seleção, estudo e notas de Arnaldo Saraiva
10. Os da minha rua - Ondjaki
11. A máquina de fazer espanhóis - Walter Hugo Mãe
12. Vigílias - Al Berto
13. Poemas concebidos sem pecado - Manoel de Barros
14. Face imóvel - Manoel de Barros
15. Poesias - Manoel de Barros
16. Compêndio para uso dos pássaros - Manoel de Barros
17. Gramática expositiva do chão - Manoel de Barros
18. Matéria de Poesia - Manoel de Barros
19. Arranjos para assobio - Manoel de Barros
20. Livro de pré-coisas - Manoel de Barros
21. O guardador de águas - Manoel de Barros
22. Concerto a céu aberto para solos de ave- Manoel de Barros
23. Quinta Avenida, 5 da manhã - S. Wasson
24. A literatura em perigo - Tzvean Todorov
25. O remorso de Baltazar Serapião- Walter Hugo Mãe
26. Lotte & Zweig - Deonísio da Silva
27. Indícios flutuantes (poemas) - Marina Tsvetáieva
28. A duração do dia - Adélia Prado
29. Rua do mundo - Eucanaã Ferraz
30. Destino poesia Antologia - organização Italo Moriconi. Ana Cristina Cesar, Cacaso, Paulo Leminski, Torquato Neto e Waly Salomão
31. Tarde - Paulo Henriques Britto
32. Correnteza e escombros - Olavo Amaral
33. Nelson Rodrigues por ele mesmo
34. A última coisa que eu pretendo fazer na vida é morrer - Ciro Pellicano
35. O encontro marcado - Fernando Sabino
36. O óbvio ululante - Nelson Rodrigues
37. O grande mentecapto- Fernando Sabino
38. O homem despedaçado - Gustavo Melo Czekster
39. Dia de São Nunca à tarde - Roberto Drummond
40. O canto do vento nos ciprestes - Maria do Rosário Pedreira
41. Antes que os espelhos se tornem opacos - Juarez Guedes Cruz
41. Desvãos - Susana Vernieri
42. Um pai de cinema - Antonio Skármeta
43. No inferno é sempre assim - Daniela Langer
44. Crônicas de Roberto Drummond.
45. Correio do tempo - Mario Benedetti
45. Gatos bravos morrem pelo chute - Tiago Ferrari
46. Gesso & Caliça - Alberto Daflon Filho e Fabio Daflon
47. A educação pela pedra - João de Cabral de Melo Neto
48. O fio da palavra - Bartolomeu Campos de Queirós
49. Meu amor - Beatriz Bracher
50. Os vinte e cinco poemas da triste alegria - Carlos Drummond de Andrade
51. A visita cruel do tempo - Jennifer Egan
52. Cemitério de pianos - José Luis Peixoto
53. O amante - Marguerite Duras
54. Bonsai - Alejandro Zambra
55. Diciodiário - Valesca de Assis
56. Não tenho culpa que a vida seja como ela é - Nelson Rodrigues
57. Lero-lero - Cacaso
58. O livro das ignorãças - Manoel de Barros
59. Livro sobre nada - Manoel de Barros
60. Retrato do artista quando coisa - Manoel de Barros
61. Ensaios fotográficos - Manoel de Barros
62. A queda - as memórias de um pai em 424 passos - Diogo Mainardi
63. Junco - Nuno Ramos
64. Os verbos auxiliares do coração - Peter Estérhazy
65. Monstros fora do armário - Flavio Torres
66. Viagem - Cecília Meireles
67. Cora Coralina - Seleção Darcy França Denófrio
68. Instante - Wislawa Szymborska
69. Dobras do tempo - Carmen Silvia Presotto
70. Eles eram muitos cavalos - Luiz Ruffato
71. Romanceiro da inconfidência - Cecília Meireles
72. De mim já nem se lembra - Luiz Ruffato
73. O perseguidor - Júlio Cortázar
74. Paráguas verdes - Luiz Ruffato
75. Todas as palavras poesia reunida - Manuel António Pina
76. Vidas secas - Graciliano Ramos
77. Inferno Provisório Volume II O mundo inimigo - Luiz Ruffato
78. O ano em que Fidel foi excomungado - José de Assis Freitas Filho
79. Boneca russa em casa de silêncios - Daniela Delias
80. As cidades e as musas - Manuel Bandeira
81. Billie Holiday e a biografia de uma canção Strange Fruit - David Margolick
82. Inferno Provisório Volume III Vista parcial da noite - Luiz Ruffato
83. Inferno Provisório Volume V - Domingos sem Deus
84. Inferno Provisório Volume IV - O Livro das impossibilidades - Luiz Ruffato
85. Pedro Páramo - Juan Rulfo
86. Zazie no metrô - Raymond Queneau
87. Fora do lugar - Rodrigo Rosp
88. Salvador abaixo de zero - Herculano Neto
89. Inferno Provisório Volume I - Mamma, son tanto felice - Luiz Ruffato
90. A virgem que não conhecia Picasso - Rodrigo Rosp
91. Claro Enigma - Carlos Drummond de Andrade
92. Tempo dividido - Sophia de Mello Breyer Andersen
93. A Rosa do Povo - Carlos Drummond de Andrade

Leituras a partir de 1 de janeiro de 2011

1.Desgracida - Dalton Trevisan
2.Diário de um banana - Jeff Kinney
3. Poemas escolhidos, seleção de Vilma Arêas - Sophia de Mello Breyner Andresen
4. Oportunidade para um pequeno desespero - Franz Kafka
5. Venenos de Deus, remédios do Diabo - Mia Couto
6. Ventos do Apocalipse - Paulina Chiziane
7. Para gostar de ler - Contos Africanos
8. Vinte e zinco - Mia Couto
9. O Vendedor de passados - José Eduardo Agualusa
10. O Fazedor - Jorge Luís Borges
11. Terra Sonâmbula - Mia Couto
12. Barroco Tropical - José Eduardo Agualusa
13. Quem de nós - Mario Benedetti
14. O último voo do flamingo - Mia Couto
15. A carta de Pero Vaz de Caminha: o descobrimento do Brasil - Silvio Castro
16. Na berma de nenhuma estrada e outros contos - Mia Couto
17.O reino deste mundo - Alejo Carpentier
18. Como veias finas na terra - Paula Tavares
19. Baía dos Tigres - Pedro Rosa Mendes
20. O português que nos pariu - Angela Dutra de Menezes
21. Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez
22. Vermelho amargo - Bartolomeu Campos de Queirós
23. Meu tipo de garota - Buddhadeva Bose
24. Tradutor de Chuvas - Mia Couto
25. O livro das perguntas - Pablo Neruda
26. O fio das missangas - Mia Couto
27. Luka e o fogo da vida - Salman Rushdie
28. Pawana - J.M.G. Le Clézio
29. O africano - J.M.G. Le Clézio
30. O pescador de almas - Flamarion Silva
31. Um erro emocional - Cristovão Tezza
32. O amor, as mulheres e a vida - Mario Benedetti
33. A cidade e a infância - José Luandino Vieira
34. História do olho - Georges Bataille
35. Destino de bai- antologia de poesia inédita caboverdiana
36. O tigre de veludo- E. E. Cummings
37. Poesia Soviética - Seleção, tradução e notas de Lauro Machado Coelho
38. A cicatriz do ar - Jorge Fallorca
39. Refrão da fome - J.M.G. Le Clézio
40. As avós - Doris Lessing
41. Vozes Anoitecidas - Mia Couto
42. O livro dos guerrilheiros - José Luandino Vieira
43. Trabalhar cansa - Cesare Pavese
44. No teu deserto - Miguel Sousa Tavares
45. Uma canção para Renata Maria - Ediney Santana
46. Sete sonetos e um quarto - Manuel Alegre
47. Trópico de Capricórnio - Henry Miller
48. Sinais do Mar - Ana Maria Machado
49. Carta a D. - Andre Gorz
50. E se o Obama fosse africano? E outras interinvenções - Mia Couto
51. De A a X - John Berger
52. Diz-me a verdade acerca do amor - W.H. Auden
53. Poemas malditos, gozosos e devotos - Hilda Hilst
54. Outro tempo - W.H. Auden
55. nem sempre a lápis - Jorge Fallorca
56. Elvis&Madona - Luiz Biajoni
57. Budapeste - Chico Buarque
58. José - Rubem Fonseca
59. Axilas e outras histórias indecorosas - Rubem Fonseca
60. Instruções para salvar o mundo - Rosa Montero
61. A chuva de Maria - Martha Galrão
62. Rimas da vida e da morte - Amós Oz
63. Aqui nos encontramos - John Berger
64. Pensatempos textos de opinião - Mia Couto
65. Os verbos auxiliares do coração - Péter Esterházy
66. Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke
67. A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristovão Rilke - Rainer Maria Rilke
68. Adultérios - Woody Allen
69. Quem me dera ser onda - Manuel Rui
70. Satolep - Vítor Ramil
71. Homem Comum - Philip Roth
72. O animal agonizante - Philip Roth
73. Paisagem com dromedário - Carola Saavedra
74. Não te deixarei morrer, David Crockett - Miguel Sousa Tavares
75. Orelhas de Aluguel - Deonísio da Silva
76. Travessia de verão - Truman Capote
77. Avante, soldados: para trás - Deonísio da Silva
78. Antes das primeiras estórias - João Guimarães Rosa
79. O outro pé da sereia - Mia Couto
80. O cemitério de Praga - Umberto Eco
81. A mulher silenciosa - Deonísio da Siva
82. Livrai-me das tentações - Deonísio da Silva
83. A mesa dos inocentes - Deonísio da Silva
84. Hilda Furacão - Roberto Drummond
85. A estética do frio - Vitor Ramil
86. Poetas de França - Guilherme de Almeida
87. Tarde com anões 7 minicontistas - Carlos Barbosa, Elieser césar, Igor Rossoni, Lidiane Nunes, Mayrant Gallo, Rafael Rodrigues e Thiago Lins.
88. Pensageiro Frequente - Mia Couto.
89. A palavra ausente - Marcelo Moutinho
90. Uma mulher -Péter Esterházy
91. Cartas de amor - Fernando Pessoa
92. A última entrevista de José Saramago - José Rodrigues dos Santos
93. A morte de D.J. em Paris - Roberto Drummond
94. Do desejo - Hilda Hilst
95. Cenas indecorosas - Deonísio da Silva

Leituras a partir de 19 de Julho de 2010

1. La Hermandad de la uva - John Fante
2. Nem mesmo os passarinhos tristes - Mayrant Gallo
3. Um mau começo - Lemony Snicket
4. Recordações de andar exausto - Mayrant Gallo
5. Ladrões de cadáveres - Patrícia Melo
6. O mar que a noite esconde - Aramis Ribeiro Costa
7. Há prendisajens com o xão - Ondjaki
8. E se amanhã o medo - Ondjaki
9. O último leitor - Ricardo Piglia
10. Par e ímpar - Tatiana Druck
11. Paris França - Gertrude Stein
12. Quirelas e cintilações - Luiz Coronel
13. AvóDezanove e o segredo do soviético - Ondjaki
14. Luaanda - José Luandino Vieira
15. Poemas para Antonio - Ângela Vilma
16. Estranhamentos - Mônica Menezes
17. A vida é sonho - Calderón
18. A varanda do Frangipani - Mia Couto
19. Um copo de cólera - Raduan Nassar
20. Antes de nascer o mundo - Mia Couto
21.Lavoura Arcaica - Raduan Nassar
22- Poemas da ciência de voar e da engenharia de ser - Eduardo White
23. Manual para amantes desesperados - Paula Tavares
24. Materiais para confecção de um espanador de tristezas - Ondjaki
25. Milagrário Pessoal - José Eduardo Agualusa
26. Felicidade e outros contos - Katherine Mansfield
27. Estórias abensonhadas - Mia Couto
28. Fábulas delicadas - Eliana Mara Chiossi
29. O Ulisses no Supermercado - José de Assis Freitas Filho
30. Cartas Exemplares - Gustave Flaubert
31. A Moça do pai - Vera Cardoni
32. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra - Mia Couto
33. Dentro de mim faz sul seguido de Acto Sanguíneo - Ondjaki
34. Bonequinha de Luxo - Truman Capote
35. 125 Poemas - Joaquim Pessoa.

Mundo bípede


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