
E eu ando a ver a novela porque o dvd segue no tal ponto eletrônico à espera de uma solução, e a novela é chata, e a Helena, um porre, e nem as belas casas são mais belas, a casa da tal personagem só não é rosa porque é movida a lilás, até o pinheirinho de Natal é lilás, e eu não gosto de lilás, e bem pouco de rosa, porque a minha mãe do alto de sua beleza, meteu na minha cachola que rosa é para loiras, e eu não serei blonde nem quando ficar velha, que, macacos me mordam se eu ficar feito a Hebe Camargo ou passar a achar rosa lindo. E estou vendo a novela porque nesse edifício não tem antena coletiva, e a gente não tem sky, nem net, nem nada que passe um filmizinho, porque se a Globo é a Globo e adora uma novela, na concorrência, uma apresentadora bem Hebe, sem ser a Hebe, fazia três casais humildes revelarem sua falta de auto-estima e brigarem diante de uma platéia sanguínea. E eu prefiro ficção de má qualidade a uma suposta realidade sendo desqualificada e destruída por uma manipuladora qualquer. Que se tem um tipo de gente que me irrita, é o tipo manipulador e chantagista, e eu tenho pós-doutorado nesse tipo, e não tem mais quem me pegue, que meu radar aciona bip bip bip já na primeira frase. E eu estou vendo novela porque, durante o dia, sigo lendo revistas, jornais e internet, e, é claro, um livro, e, no momento, leio o presente que ganhei do Paulo, Os limites do Impossível, e o livro é incrivelmente bem escrito, mas incrivelmente irritante, e se desenvolve em torno das possívei mulheres que cercaram o nascimento de Carlos Gardel lá em Tacuarembó e em torno de um homem filho de uma putana com todas as estrelinhas da galáxia, um tipo safado, danado, podre, que faz o Herivelto da Dalva até parecer um anjinho, e essa história de machos fodedores não cola mais, e, se eu tivesse de cometer um assassinato, o meu, certamente, seria bem básico, nada russo, que eu trataria é de envenenar com muitos sorrisos e depois um chá o primeiro maridinho metido a bacana que encontrasse enquanto cuido o pequeno bípede no mar e ainda iria no velório vestida de preto, que para matar já não seria mais necessário. Se bem que um azul clarinho realça mais a minha pele, e a Iemanjá iria gostar, não iria?
Muito bom, querida Bípede, muito bom! Adorei.
ResponderExcluirBeijinhos
Jacklyn
É impressionante como a vontade ou fantasia de matar alguém, ainda que seja através da literatura povoa a cabeça da humanidade. Hoje mesmo ouvi um amigo que é uma ótima pessoa, incapaz de matar uma galinha, mencionar que adoraria ver uma pessoa morta. É quase mais comum do que a fantasia de ganhar a mega sena. Beijos,
ResponderExcluirTerráqueo
Gostei muito!Palavras alinhavadas sem fôlego que me fizeram até sorrir, apesar de alguma da "violência" que trazem colada na sombra.
ResponderExcluirBjs
Adoro estes teus textos. Maravilhoso descarrego.
ResponderExcluirGaranto que Iemanjá ficou orgulhosa e agradecida.
Concordo plenamente: odeio estes programas que nos fazem sentir tão envergonhados, pelas pessoas que servem de atração neles, que temos vontade de se enfiar "dentro" do Samovar, ou debaixo da poltrona. ODEIO!!!
Mas devo confessar que adoro cor de rosa e discordo que seja cor de loira (que também não vou ser nunca, nem que caia o mundo. Pelo menos nessa encarnação.) Sou quase neguinha e me adoro de rosa.
Beijo
Marie
Marie, minha amiga mais antiga, de berçário, que está aqui em casa com seus bipedizinhos é uma loira autêntica e linda que, quando usa rosa, parece uma visão. Ela também me diz que rosa fica bem na morenas, mas não tem jeito, me sinto falsa, como se tal delicadeza não combinasse comigo. E eu sou delicada. Mas vai entender?! Minha bipedice é assim.
ResponderExcluirTerráqueo, o problema de matar alguém é o corpo. Como encarar o corpo do morto? Eu detesto ver gente morta. Eu não gosto de ver gente morta nem em foto, nem de faz de conta, nem em filme e na televisão.
Apple e Jaclkyn, pois é, de vez em quando, bate uma pomba gira e a gente sai de baixo para rodar um saravá!
E a gente prende-se às histórias da vida como se de vida se tratasse... E não serão elas vida também... mas feitas histórias?!
ResponderExcluir